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Três vivas à civilidade e ao civismo. Será?
Hoje pela manhã presenciei uma cena triste. Um caminhão carregado com cerveja em lata quebrou no que chamamos aqui em Salvador de Acesso Norte, trecho que liga alguns bairros periféricos ao centro da cidade. Um destes bairros, inclusive, é onde resido. Infelizmente, quebrou bem em frente a um dos mais populosos e menos favorecidos dos bairros da cidade. Não sei até que ponto humildade e oportunismo podem estar associados, mas o fato é que o povo caiu, literalmente, em cima da cerveja. Uma total falta de civilidade com os profissionais responsáveis pelo carreto e de civismo, envergonhando aqueles que ali passavam ou precisavam passar para se dirigir ao trabalho, atrasando a produtividade diária de muita gente e até ameaçando alguns dos motoristas que queriam seguir, incólume, o seu caminho.
Quiseras eu ter tido a oportunidade de fazer umas fotos do ocorrido, mas estava de moto e poderia ser roubado e agredido, então preferi ficar quieto até conseguir passar pelo caminhão e ir embora.

Imagem figurativa copiada do Google Imagens. Não representa o ocorrido. Foi pior!
É muito triste ver pessoas se acotovelando, subindo umas nas outras e até brigando por um pacote com 12 latinhas de cerveja (alguns levavam dois pacotes), mas também dá margem para pensar um pouco no desenvolvimento de nossa sociedade, na educação do povo e nas profundas ranhuras existentes em cada um de nós. Claro que após o roubo-furto-saque muitos vão direto colocar as suas latinhas para gelar para, quem sabe no almoço, fazer aquele “churrascão de laje” e comemorar com os amigos. Não posso garantir que isso de fato aconteça, mas não dá para pensar em muitas coisas diferentes disso. Não vejo também se há algo a comemorar depois de furtar uma empresa e deixar seus trabalhadores aflitos com isso.
Pelo contrário, acho que são estes os momentos em que não há nada a se comemorar. Para mim isso é reflexo de ignorância, falta de oportunidade de trabalho, falta de convivência pacífica com os demais, falta de, reitero, civilidade e civismo. E é nestas horas em que enxergamos claramente a essencia humana. Me pergunto quantos dos que roubaram aquelas cervejas irão colocá-las em uma caixa de isopor para vender e fazer algum dinheiro para alimentar a família. Provavelmente nenhum. Naquele momento aquelas pessoas eram apenas mais algumas dezenas de animais racionais desejando entusiasticamente de forma instintiva embebedar-se. Quem sabe assim, com a dor dos outros, não aliviariam a sua própria? Ou esqueceriam dela por algum tempo.
No entanto, nada justifica a violência, o furto e o desrespeito às Leis. Mas você acha que alguém será punido? Eu duvido. Vi uma viatura da polícia militar cerca de 1 km depois do ocorrido que se encaminhava para lá. O pior de tudo é pensar que os políciais provavelmente irão inibir a população em troca de algumas latinhas. Uma lástima social generalizada.
| Print article | This entry was posted by Leonardo Araujo on 30 de Setembro de 2008 at 10:44, and is filed under Brasil, Salvador, É a vida. Follow any responses to this post through RSS 2.0. You can skip to the end and leave a response. Pinging is currently not allowed. |





























about 1 year ago
A questão é mais profunda. Além da falta de educação latente que atinge a todos nós (principalmente os baianos, permita-me dizer), a questão social aí é muito forte. A população, eu entendo, deu aquilo como “perdido” e “desperdiçado”, muito embora muitas latinhas estivessem ainda intactas. E para eles aquilo ali é como se eles tivessem burlando o sistema, digamos assim. Ou seja, é tão caro tomar uma no fim de semana, mas tão caro… Que agora vem de graça e pronto. O cara não tem emprego, pouca pespectiva, aí vem uma parada dessa e ele se acha o “contemplado”.
Fora que, no final das contas, quem vai pagar por tudo é o seguro.
about 1 year ago
Absurdo isso, Leo… e nem podemos dizer que ’só se ver na Bahia’. Acredito que em muitos locais do nosso país essa cena se repetiria.!
Sobre o texto lá do Menina Amarela é de minha autoria!
bjo-bjo
about 1 year ago
Rodrigo, o caminhão só quebrou o eixo. A carga estava intacta, nem uma caixinha havia caído até que o primeiro pulou sobre o caminhão. E isso de o seguro pagar a conta, não justifica furtar coisa alguma.
about 1 year ago
Bom, acho que não é culpa da pobreza. É simplismente uma questão individual.
Coloque um caminhão desses na frente de jovens, por exemplo, que estudaram em faculdades particulares e vocês vão ver: talvez seja até pior!
Abraços!
about 1 year ago
eu vi as imagens.. absurdo mesmo!!
bjocas.
about 1 year ago
Oi Primoo!!! Fiquei feliz com a visita..volte sempre, viu? Mais é claro que pode por o link
Bjs
about 1 year ago
Em todos os casos que já vi de acidente com carga acontece o mesmo, independentemente do estado de saúde do motorista. A oportunidade(ou impunidade?) faz o ladrão.