propaganda • prosa • poesia • tendências • e tudo o mais
Posts tagged Política
Música de campanha embala crítica ao metrô
Mai 26th
É uma beleza ver produções como esta. Uma crítica ao atraso (de pelo menos 5 anos!) na entrega do metrô de Salvador (de apenas 6 km!).
E o melhor, a música foi feita sobre o famoso jingle “Lulalá”, que embalou a campanha de Lula em sua primeira eleição.
Via Twitter, mas não lembro de quem.
O legado dos anos 80
Abr 7th
Muitos dizem que os anos 80 foram a década perdida. Isso porque passamos por aqueles anos sob forte inflação (média de 764% por ano!) e isso impediu o país de progredir e crescer.
No entanto, mudanças profundas vinham acontecendo em todas as áreas. Na política estavámos saindo do regime militar, tendo direiro a voto e nos preparando para grandes decisões, como a de 1993, quando decidimos se seríamos uma monarquia ou república. Na cultura, nosso povo ainda vivia a influência dos áureos e criativos anos 70, quando o tropicalismo já era uma realidade e quando houve um boom cultural sem igual. Ainda tivemos o primeiro Rock in Rio, Nelson Piquet tricampeão de F1 e outros grandes acontecimentos.
As mudanças políticas e culturais da época – principalmente – influenciaram toda a década de 80 para que esta nos deixasse legados inigualáveis.
Não foi diferente com a propaganda. Eu, que nasci exatamente em 1980, considero que estes foram os anos áureos da propaganda no Brasil. Foram o estopim para que hoje sejamos referência mundial em qualidade publicitária. Dos anos 80, temos tantos exemplos que fica até difícil decidir quais colocar aqui no post para mostrar a imensa criatividade da época.
É incrível como, mesmo sem os aparatos técnicos que temos hoje, nossos comerciais eram maravilhosos. Os anos 80 foram definitivamente a era da criatividade publicitária no país. Criamos anúncios antologicos, como este abaixo para a Faber Castel, ao som de Aquarela.
Este mesmo video foi reproduzido em 1995, numa nova versão que envolveu cerca de 850 artes pintadas em giz de cera, lápis de cor e tinta guache, que eram os mesmos materiais que a Faber Castel vendia.
Então, para que fique registrado aqui alguns dos grandes comerciais dos anos 80, confira um especial da Rede Globo com os grandes momentos publicitários da década.
No especial acima estão os seguintes comerciais:
SHAMPOO TURMA DA MÔNICA Phebo / Canetas BIC / Danoninho (vale por um bifinho) / CCAA (Let´s Hear it From The Boy!!) / WOLKSWAGEN (Lucro de 7 Milhões!!!) / Livro Fauna Editora Salvat / Margarina Fiorella / VINHETA FANTÁSTICO / Danone (Brinde na bandeja!) / Revil Construtora / Trailer do filme PATRIAMADA (1984) / Desodorante AVANÇO / Bonecas “Quem-me-Quer” ESTRELA / Mate-Leão / VINHETA BALÃO MÁGICO / Cerveja MALT 90 (Rock In Rio 1) / Livros Ciranda de Livros / Colégio GPI / Margarina Delícia / Álbum Holly Hobbie / CB (Casa da Banha) / BOB´s / Nescau / VINHETA TRAPALHÕES.
Apesar de adorar a propaganda dos anos 80 e, em breve, você poderá ver outros comerciais maravilhosos da época aqui no blog. Aqueles que, para mim, são os melhores de todos os tempos são o Pizza com Guaraná e o Pipoca com Guaraná, do começo dos anos 90.
Aonde vamos parar?
Dez 1st
Salvador está ficando cada dia mais violenta. E o pior, eu não estou vendo isso e por isso vinha achando o contrário. Não sei se é porque eu deixei, há muito tempo, de assistir aos jornais locais sensacionalistas que eu tenho a falsa impressão de que vivo numa cidade relativamente segura ou se é porque dou a sorte de estar sempre longe dos acontecimentos do gênero. O fato é que o bicho está pegando.

Praticamente todas as segundas-feiras os principais jornais da capital (A Tarde, Correio* e Tribuna da Bahia) exibem matérias que contam como bananas numa penca, os corpos dos mortos no final de semana. Não bastassem as mortes, os casos de tráfico de drogas também estão se alastrando. Dizem por aí que se pegarmos o jornal e espremê-lo, cairá sangue. Dizem também que se passarmos a mão sobre a tela da tv durante um dos telejornais sensacionalistas (temos muitos!) ela ficará melada de sangue. É uma lástima, mas nossa cidade está tomando porrada do crime.
Óbvio que toda cidade tem criminalidade, não estamos nos céus e, como o inferno é aqui, não teremos tão cedo índices próximos a zero de assassinatos, roubos, abusos e tráfico. Hoje foi a vez de uma amiga sofrer com o crime e o descaso com que a população vem sendo tratada.
Minha amiga estava correndo pela manhã na orla no trecho entre o Jardim dos Namorados e o parque onde antes ficava o Clube Português e ia ouvindo música em seu iPod quando, da forma mais abrupta possível, um marginal arrancou o aparelho do seu braço de uma só vez. O marginal saiu caminhando tranquilamente, como se nada tivesse feito e sob olhares incrédulos de outras pessoas. Não havia um policial sequer por perto. Ela disse que passou 30 minutos procurando a polícia e não encontrou nenhum. Um verdadeiro absurdo!
Temos visto a orla de Salvador ser revitalizada em alguns pontos, como em Amaralina e neste ponto onde antes havia o Clube Português e, ao invés de ser utilizado por nós, cidadãos que pagamos altos impostos, são os ladrões, viciados e prostitutas que utilizam os espaços. Cadê a segurança que é obrigação do Estado? Cadê a exaltada Guarda Municipal? Pelo visto isso só é disponibilizado em alguns pontos da cidade.
Todos os dias eu vejo dezenas de viaturas da Guarda Municipal aqui na região do Centro Histórico. Vejo policiais em cada esquina e, em um ano trabalhando no Pelourinho, não presenciei um só roubo. É uma pena que isto não esteja se repetindo em toda a cidade. A coisa está ficando feia mesmo. Conheço dois relatos de pessoas sequestradas no estacionamento do subsolo do Supermercado Extra, da Avenida Paralela e cerca de 15 dias atrás duas colegas de trabalho tiveram os seus carros roubados. E olha que muitos destes acontecimentos não chegam a ser oficializados e, por isso, não entram nas estatísticas “oficiais”.
Eu sinto muito ver a cidade que amo nesta situação. O verão está chegando e Salvador é destino certo de dezenas de milhares de turistas brasileiros e estrangeiros e espero que os governos municipal e estadual faça a sua parte e ofereçam para nós e para nossos visitantes a segurança necessária para uma vida e um passeio dignos da capital que Salvador é. Espero poder voltar a falar de coisas boas no próximo post.
O país do futuro e o futuro do país
Nov 25th
Todos nós já ouvimos a célebre frase-mito-dito-popular de que o Brasil é o país do futuro. Por eras nosso povo transmitiu esta frase de geração para geração e este futuro de ditas belezas e desenvolvimento nunca que chegava. Eu mesmo, que até então vivi apenas 28 anos, não tenho como mensurar a quantidade de vezes em que ouvi isso e que pensei, do alto da minha montanha de otimismo: “ainda verei este bendito e predito futuro”.
O fato é que os anos passam e a gente vai ficando mais duro. Duro no sentido de que passamos a ter que arcar com contas que antes eram pagas pelos pais (como eles pagavam tanta coisa?!) e no sentido de que deixamos aos poucos de acreditar em fábulas (e eu nem estou falando do Saci ou do Papai Noel). Mas mesmo assim cá estou eu, mais uma vez em minha vida, declarando acreditar que estamos perto (uns 20 ou 30 anos) de ver enfim o Brasil se tornar O País do Futuro.
A Crise financeira (em maiúscula mesmo) que se alastra mundo afora, ainda que sendo uma pedra no sapato do país, será a médio prazo mais benéfica para nós do que para os outros do BRIC (Russía, Índia e China) e para os colossos EUA e UE. Não sou especialista em economia, apesar de gostar muito do assunto, mas acho que dá para fazer algumas ponderações e até mesmo acertar algumas.
Hoje temos o sistema financeiro e bancário mais eficiente e um dos mais sólidos do mundo. Claro que o Dólar deu uma disparada, mas era esperado porque o Real havia se valorizado frente a moeda estadunidense mais do que qualquer outra no mundo e, mais cedo ou mais tarde, um ajuste iria acontecer. E o Dólar disparou justamente porque eles, os investidores externos, estão tirando suas verdinhas daqui. É a velha lei de mercado, quanto maior a oferta e menor a demanda, menor o preço, quanto maior a demanda e menor a oferta (o que está acontecendo com o Dólar agora) maior o preço. É por isso que o Banco Central (BC) faz leilões de dólares. Para que a moeda continue “circulando” no mercado financeiro e que, com isso, não falte este produto no mercado, o que elevaria mais ainda o seu valor. Não é difícil entender o sistema financeiro se tivermos uma boa dose de paciência para ler um ou outro artigo por aí e se acompanharmos, mesmo de longe, os acontecimentos do mercado. E olha que eu sou um leigo, sou publicitário oras!
Eu digo que o sonho do nosso Brasil ser o país do futuro vai se realizar por uma série de fatores que podemos observar nos últimos anos e, por incrível que pareça, por causa da Crise atual. Nos últimos anos o Governo conseguiu (e isso não é mérito só de Lula, mas principalmente de FHC e das equipes do alto escalão) realizar uma série de reformas, mesmo que incompletas, que deram um novo rumo ao país. Hoje temos a Previdência Social totalmente informatizada e com seus computadores ligados a outros sistemas públicos importantes como a Receita Federal, o que dificulta fraudes e aumenta a arrecadação. Temos uma fiscalização efetiva e que pude com vigor empresas que burlam as regras para não pagar os impostos, altíssimos, mas importantes para o funcionamento da máquina. E temos visto os mais pobres começar a consumir produtos que não são somente os de primeira necessidade, o que indica progressão na pirâmide das classes. Tem o tal do PAC, que está levando obras (mesmo que infelizmente algumas sejam megafaturadas) para vários cantos do país. Tivemos uma explosão de crédito imobiliário que está transformando cidades inteiras (Salvador será outra daqui a 5 anos!) e movimentando a economia como não acontecia destes os anos 70. E olha que o crescimento dos anos 70 foi insustentado e aumentou o endividamento internacional do país. Exportamos mais do que importamos e isso se repete já há uns dois ou três anos quase ininterruptamente mês após mês. A balança comercial está positiva e o fluxo de caixa hoje já é de mais de US$ 200 bilhões de dólares, o que dá para pagar os juros da dívida e ir quitando-a aos poucos. Aí, depois de tudo isso, o Brasil cresceu ano passado uns 5,3%, recebeu o cartão verde para investimentos internacionais, viu jorrar dinheiro para cá e então a Crise chegou. Não está sendo fácil hoje para muitas empresas, mas a perspectiva é boa para o médio prazo. Repito, eu sou leigo e posso estar errado, mas acho que a Crise pode ser mais benéfica do que maléfica pelo menos para nós.
A GM nos EUA está cambaleando, o Citigroup precisou de grana do governo de lá, eles e vários países da UE injetaram bilhões em empresas, maculando e muito o livre mercado (foi necessário, mas não é bom) e por aqui o que houve? Os bancos reduziram o crédito, empresas perderam valor de mercado na Bolsa e as ações da minha namorada despencaram. Só para citar algumas coisas ruins. Mas o fato é que as vendas do comércio neste fim de ano devem ser maiores que a média dos últimos anos, mesmo com uma arrefecida no consumo, que estava frenético. O fato é que o Brasil produz muita matéria-prima e alimentos, ninguém produz tanto disso quanto nós. Matéria-prima até dá para parar de consumir, mas comida, isso não. Penso que continuaremos com nossas safras boas (mesmo que com crescimento menor) e com nossas exportações em alta. Eu vejo para os próximos anos um mundo que precisará se curar das feridas da Crise, do desemprego causado por ela, das maculações do mercado por causa da intervenção imensa do Governo e, por conta disso tudo, com um ritmo de crescimento menos. Ritmo este que será puxado ainda por China, Índia, Brasil, Rússia, África do Sul e outros rebentos dos dias atuais. A China vai crescer menos do que as taxas escrotas de 11 ou 12% de hoje, que devem ser de 7 ou 8%. Os demais também terão redução no crescimento, incluindo nós. Mas então como é que eu digo e repito que vamos nos dar bem? O fato é que o mundo vai crescer menos, mas ainda vai crescer um pouco. E que o Brasil, pelos próximos anos, deverá crescer acima da média mundial. Isso dará um fôlego danado ao país para, quando o mundo se recuperar totalmente daqui a uns 10 anos, o Brasil dar a sua guinada e abocanhar a sua fatia da pizza chamada futuro.
Até lá teremos quase toda a população online (mesmo que em Lan Houses) e com um pouco mais de anos de “estudo” no currículo. Agora eu entro na segunda parte deste imenso artigo, O Futuro do País.
Eu vejo que o problema não é o Brasil se tornar o país do futuro e sim quem seremos nós para o futuro do país.
Quando eu estava na quarta série primária, minha mãe brigou com a dona da escola onde eu estudava e, ao final daquele ano, fui transferido para outra. Ainda era uma escola particular, mas estes seriam os meus últimos meses. O fato é que eu, com 9 anos na quinta série (eu sei, eu era foda!), não me adaptei a nova escola e ia mal nos estudos. Fui tão mal que minha mãe me tirou no meio do ano e, para não ficar de bobeira, eu fui trabalhar no comércio da família. No começo não era nada tão fixo, ficava na padaria, atendia uns clientes e fui aprendendo o que era dinheiro. No ano seguinte fui para o colégio público. Acordava, ia para a escola e trabalhava a tarde e a noite, até umas 20h. Quando terminei o ginásio, já com 14 anos, eu sabia tocar um mercadinho praticamente sozinho. Abria o comércio, fazia pedidos para fornecedores, pagamentos, cuidava do fluxo de caixa e entregava o salário de funcionários. Nessa época eu ganhava meio salário mínimo. Eu era adolescente e tinha grana como nenhum dos meus amigos da vizinhança pobre tinha. Tinha videogame 16bits! Veja, sem saber, eu estava sendo formado ali, no dia a dia do trabalho. Fui para o segundo grau num colégio do centro, me deslumbrei e depois de muitas namoradinhas, cervejinhas e escapadas de aulas, perdi o primeiro ano técnico em arquitetura. O ano seguinte eu abandonei no meio para trabalhar e focar para o próximo ano. Depois eu cursei todo o segundo grau num outro colégio público e foi moleza. Das três turmas formadas, só tenho conhecimento de que eu tenha prestado vestibular, feito faculdade, pós e até um pouco de inglês. Os demais colegas ficaram no segundo grau capenga mesmo. Alguns são vizinhos que eu encontro volta e meia na rua e quase todos estão trabalhando em empregos que nunca lhes oferecerão um futuro que possa levá-los à ascensão social.
Contei isso tudo para mostrar o tamanho do déficit educacional que temos e o desafio que teremos para os próximos anos. Eu consegui chegar aonde estou por que tive a sorte de nascer numa família de comerciantes, que me deram pelo menos o ensino básico particular e que me deram com muito trabalho uma grande noção de valor para o dinheiro. Mas aí eu pergunto: e os demais? E aqueles que se formaram comigo no segundo grau regado a boas festas e gincanas divertidas? E os que se formam hoje, em colégios que não reprovam de jeito algum? Meu único receio em relação ao nosso futuro como nação vem daí, vem do precário ensino público que temos para a maioria da nossa população. Espero que o Governo faça algo a tempo para corrigir isso, pois eu quero viver para ver o Brasil se tornar o país do futuro e para ver nossos jovens cheios de conhecimento e orgulho nos olhos se tornarem o futuro do país.




























