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Antes e depois
Out 24th
Sempre odiei estes anúncios milagrosos que mostram fotos de antes e depois do uso ou do consumo de algum produto ou medicamento. Nunca gostei porque eles são, em sua imensa e esmagadora maioria (para não dizer totalidade), falsos. Ou seja, utilizam a propaganda de uma forma desonesta e anti-ética.
Encontrei em um blog bacana o Oddee (em inglês) uma post com algumas pérolas deste tipo de anúncio. São coisas ridículas, absurdas e, incrivelmente, ainda assim tem gente que acredita. O exemplo ao lado deixa claro o que estou querendo dizer.
É até cômico ver alguém tentar vender algo assim. Sinceramente, este daí é tão inacreditável (todos os adjetivos de surpresa e intensidade são poucos) que eu não acredito que tenha sido um anúncio mesmo.

O Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária – CONAR, no Artigo 27 da Sessão 5 – Apresentação Verdadeira, do Código Brasileiro de Auto-Regulamentação Publicitária, diz:
Artigo 27
O anúncio deve conter uma apresentação verdadeira do produto oferecido, conforme disposto nos artigos seguintes desta Seção, onde estão enumerados alguns aspectos que merecem especial atenção.§ 1º – Descrições
No anúncio, todas as descrições, alegações e comparações que se relacionem com fatos ou dados objetivos devem ser comprobatórias, cabendo aos Anunciantes e Agências fornecer as comprovações, quando solicitadas.§ 2º – Alegações
O anúncio não deverá conter informação de texto ou apresentação visual que direta ou indiretamente, por implicação, omissão, exagero ou ambigüidade, leve o Consumidor a engano quanto ao produto anunciado, quanto ao Anunciante ou seus concorrentes, nem tampouco quanto à:1. natureza do produto (natural ou artificial);
2. procedência (nacional ou estrangeira);
3. composição;
4. finalidade.
Ou seja, é vetada qualquer peça publicitária que apresente ao consumidor uma informação, através de qualquer meio, inverídica. E mesmo assim sempre vemos anúncios que não transmitem ao consumidor a realidade dos resultados após o seu uso/consumo. Claro que estes exemplos são de peças internacionais, mas todos nós já vimos muitos destes por aqui também. É uma praga.
Muitos vão dizer que estes “anúncios” não foram criados por profissionais e blá, blá, blá. Eu pergunto: e daí? A classe toda leva a má fama. E muitos outros ainda acham engraçadas e se divertem com isso. Eu acho péssimo, de qualquer ângulo que se olhe. Não consigo dar risada ao ver um anúncio onde o antes é um poodle preto e o depois é um poodle branco. Nem vendendo tinta para tinturar cachorros o resultado é o apresentado, pois os cachorros são cachorros diferentes.
E que tal uma pérola de Photoshop num anúncio destes. Espera! Photoshop não. Eu não conseguiria fazer um efeito tão feio assim no programa nem mesmo de propósito. Isso daí da primeira imagem se fosse verdade nem Jesus salvaria, que dirás um creminho qualquer. Enfim, mais uma lástima para a profissão.
Veja aqui as imagens em tamanho um pouco maior.
[UPDATE FANTÁSTICO] Achei um anúncio de antes e depois verdadeiro e altamente realista. Este sim, é de primeira.

Assinatura: “Semos education – Photoshop lessons” (clique para ampliar)
Você sabe como é preparado o Big Mac?
Out 4th
Alguém filmou a preparação de uma rodada de Big Macs em uma loja da McDonald’s e colocou no YouTube. Eu vi este vídeo numa comunidade do orkut chamada YouTube – Os Melhores Vídeos (vai lá que é legal) e li alguns dos comentários dos participantes da comunidade. Lá eles dizem que é porcaria, que nunca mais voltarão ao McDonald’s e tudo o mais. O fato é que o sanduba é preparado a mãos nuas, sem luvas, e passa por várias mãos antes de chegar à boca do cliente. Não dá pra dizer o quanto anti-higiênico isso é, por quê não tem informação alguma no vídeo sobre o processo de higienização dos funcionários, mas vá lá, acho que todo mundo já comeu coisa pior na rua uma ou outra vez na vida.
Só acho uma total falta de coerência um profissional do restaurante filmar isso tudo e não pensar nas consequências negativas que pode trazer para a marca. Sei lá, até a vigilância sanitária pode pegar pesado ao ver isso. Um tremendo de um marketing negativo, isso é que o é. Me lembra o caso do cara que tomou banho na pia de um restaurante Burger King. Isso sim, foi bizarro!
Campanha pela prefeitura de Salvador na reta final
Out 2nd
A campanha política aqui em Salvador está pegando fogo, cada dia temos versões novas dos jingles, ataques na tv, debates em rádios e entrevistas nos veículos locais. Três dos cinco candidatos lançaram versões de jingles em que se repete efusivamente o seu número político.
É um tal de “é o 13-13-13-13-13-13-13″, ou “15-15-15-15-15-15-15″ e agora também o “vai de 25-25-25-25-25-25-25″. Enfim, uma verdadeira loucura para todos os tímpanos alheios. E o pior é que estes jingles, de tão competentes que são, automaticamente entram no topo da playlist do repeat mental. Hoje, nos cinco primeiros lugares do meu repeat mental estão os cinco jingles dos candidatos à prefeitura. E travam uma verdadeira batalha para ser próximo a cair no play.
De todos estes o mais famoso é o do candidato do PSOL, Hilton Coelho. É possível encontrar crianças cantarolando seu jingle em qualquer ponto da cidade. O de João Henrique, do PMDB, é um axé legal, que exalta as obras pela cidade. O de ACM Neto fala do novo e blá, blá, blá. O de Pinheiro fala de Lula, Wagner e de mudanças. E o de Imbassahy, fica num tal de “experiênciahy”, “saúdeahy”, etc. que é no mínimo uma afronta ao português escrito. Ouvindo até dá para achar legal, mas não colou como os dos demais. O mesmo de sempre, menos mal que não é para todos os mesmos de sempre. Pinheiro é candidato pela primeira vez e Neto também.
Deixo logo claro que não estou aqui para apoiar nenhum deles, afinal nem dá pra fazer isso sem correr o risco de ter o blog retirado do ar pelo TSE.
No jornal A Tarde de hoje está estampado que o candidato João Henrique agora lidera a corrida pelo pleito, com Neto e Pinheiro na cola. Até o diretor do Datafolha, Mauro Paulino, disse que a eleição aqui é “a mais imprevisível do País”. Eu acho isso muito bom para a cidade e para nosso povo. Quem levar a prefeitura vai ter que dar conta do recado e mostrar trabalho, senão o povo vai chiar.
A mudança nos resultados das pesquisas tem influência direta das campanhas. A de Imbassahy não o fez decolar, e até é uma boa campanha. Mas o candidato cometeu tantas falhas durante o processo de desceu ladeira abaixo. Começou empatado tecnicamente com Neto e agora é 4º lugar, nem deve ir ao segundo turno. Errou ao censurar a Metrópole, errou ao se omitir em responder perguntas feitas a todos os candidatos enquanto os demais as respondia. João Henrique se esbalda em tempo de TV e mostra o catatau de obras em andamento na cidade, o que o levou à liderança. Pinheiro cresceu muito com uma campanha sólida, bem organizada e apoiada oficialmente por Lula e Wagner. Hilton está aí para fazer barulho. Ninguém merece ver a cara dele com a barba farta (“farta” aqui, ali e acolá) na tv balbuciando ideais socialistas e sorrindo um sorriso mal lavado no final. Tudo pelo partido, claro! Ele não leva a prefeitura nem a pau. Mas para mim o erro mais grotesco das campanhas políticas nestas eleições aconteceu na campanha de ACM Neto, e de tão grande merece um texto à parte, leia abaixo.
O erro dos homens do menino
O subtítulo acima pode parecer confuso, mas traduz bem o que quero falar nesta parte do post. A campanha de ACM Neto até que vinha caminhando bem, o mantinha em primeiro lugar em todas as pesquisas, até que alguém teve a idéia de taxá-lo de menino. Nada contra crianças, mas como no dito popular “eu não sou menino para comer uma pilha dessas”. O tiro saiu pela culatra e atingiu o candidato nas pesquisas. Neto caiu vários pontos percentuais e agora nem lidera mais. Os outros candidatos usaram o mote e disseram algo como “o povo é que não é menino para votar em menino, o povo quer um homem firme no poder” não com estas mesmas palavras, mas a idéia é esta. Eu não consigo entender como algum mercadólogo político possa ter achado que associar a imagem de Neto, que já é tido como inexperiente, à palavra menino poderia ser algo bom. Não entra em minha cabeça isso. Lembro que fiquei chocado quando eu vi na tv pela primeira vez a propaganda em que diziam que “agora é a vez do menino”. Na hora eu pensei: “se foderam”. Deram lenha seca e de madeira de lei para os adversários tacarem fogo na campanha. Fizeram até um jingle novo, em ritmo de forró (que nem está mais no site do candidato), com isso de menino na letra. Detalhe é que eles perceberam a merda e retiraram o mote do ar, mas a cagada já havia sido feita. Agora ele ficou taxado de menino e eu não tenho mais certeza, como tinha no começo da campanha, de que ele será eleito. E olha que eu não vou votar nele, pelo menos não no primeiro turno, no segundo via depender das opções.
Dois turnos
Eu, particularmente, adoro eleições. Gosto de ir lá na seção, votar e de ver a movimentação nas ruas, o povo com bandeiras, camisas de partido e tudo o mais. Até no lixo espalhado pelas ruas eu vejo uma aura de democracia interessante e verdadeira. Não gosto é de ver 30, 50 banners um ao lado do outro, como se fossem classificados pelas ruas. Eu preferiria que isso fosse proibido em lugar dos outdoors. Estou ansioso pelo próximo domingo, dia do pleito. E mais, eu já devo ter dito isso em outros posts, eu gosto mais ainda quanto tem segundo turno. Não acho que candidato nenhum mereça ser eleito em primeiro turno. Pra mim deveria ter até para vereador com a disputa dos mais votados numa proporção de 2 candidatos por cadeira. Vencer no primeiro turno dá uma falsa sensação de super poder perigosa ao político, já ir para o segundo o mostra que ele não é o dono da verdade e que pode ser batido. Pra mim, democracia de verdade se constrói com eleições livres, campanha política de qualidade, bons candidatos e dois turnos de votação.
Três vivas à civilidade e ao civismo. Será?
Set 30th
Hoje pela manhã presenciei uma cena triste. Um caminhão carregado com cerveja em lata quebrou no que chamamos aqui em Salvador de Acesso Norte, trecho que liga alguns bairros periféricos ao centro da cidade. Um destes bairros, inclusive, é onde resido. Infelizmente, quebrou bem em frente a um dos mais populosos e menos favorecidos dos bairros da cidade. Não sei até que ponto humildade e oportunismo podem estar associados, mas o fato é que o povo caiu, literalmente, em cima da cerveja. Uma total falta de civilidade com os profissionais responsáveis pelo carreto e de civismo, envergonhando aqueles que ali passavam ou precisavam passar para se dirigir ao trabalho, atrasando a produtividade diária de muita gente e até ameaçando alguns dos motoristas que queriam seguir, incólume, o seu caminho.
Quiseras eu ter tido a oportunidade de fazer umas fotos do ocorrido, mas estava de moto e poderia ser roubado e agredido, então preferi ficar quieto até conseguir passar pelo caminhão e ir embora.

Imagem figurativa copiada do Google Imagens. Não representa o ocorrido. Foi pior!
É muito triste ver pessoas se acotovelando, subindo umas nas outras e até brigando por um pacote com 12 latinhas de cerveja (alguns levavam dois pacotes), mas também dá margem para pensar um pouco no desenvolvimento de nossa sociedade, na educação do povo e nas profundas ranhuras existentes em cada um de nós. Claro que após o roubo-furto-saque muitos vão direto colocar as suas latinhas para gelar para, quem sabe no almoço, fazer aquele “churrascão de laje” e comemorar com os amigos. Não posso garantir que isso de fato aconteça, mas não dá para pensar em muitas coisas diferentes disso. Não vejo também se há algo a comemorar depois de furtar uma empresa e deixar seus trabalhadores aflitos com isso.
Pelo contrário, acho que são estes os momentos em que não há nada a se comemorar. Para mim isso é reflexo de ignorância, falta de oportunidade de trabalho, falta de convivência pacífica com os demais, falta de, reitero, civilidade e civismo. E é nestas horas em que enxergamos claramente a essencia humana. Me pergunto quantos dos que roubaram aquelas cervejas irão colocá-las em uma caixa de isopor para vender e fazer algum dinheiro para alimentar a família. Provavelmente nenhum. Naquele momento aquelas pessoas eram apenas mais algumas dezenas de animais racionais desejando entusiasticamente de forma instintiva embebedar-se. Quem sabe assim, com a dor dos outros, não aliviariam a sua própria? Ou esqueceriam dela por algum tempo.
No entanto, nada justifica a violência, o furto e o desrespeito às Leis. Mas você acha que alguém será punido? Eu duvido. Vi uma viatura da polícia militar cerca de 1 km depois do ocorrido que se encaminhava para lá. O pior de tudo é pensar que os políciais provavelmente irão inibir a população em troca de algumas latinhas. Uma lástima social generalizada.
In am absolut world
Abr 8th
A Absolut lançou uma campanha que vem mexendo com os mexicanos. De forma ousada e, eu diria até mesmo polêmica, a marca estampou um mapa das Américas Central e do Norte em que se vê uma divisão política diferente daquela que temos hoje. No mapa do poster-anúncio o México tem um território bem mais extenso e ocupa boa parte da costa oeste estadunidense.
Como a campanha tem dado o que falar por lá, e eu não conheço a história mexicana para afirmar, só posso supor que os mexicanos acreditam que teriam direito à todo território representado.

No Blue Bus, vi que teve até gente de dentro da Publicis do México que colou o poster na parede da agência. Confira aqui.
Via Blue Bus.




























