Pica-Pau não gosta de propaganda

E acho que do jeito que aparece neste filme muita gente também não iria gostar. O desenho apresenta uma espécie de crítica aos excessos de inserções comerciais dentro de programas televisivos. Neste caso o formato parece muito com o de um programa de auditório.

Assim como acontece em todas (?) as emissoras do mundo, alguns programas sempre trazem anúncios inseridos em seu roteiro. Aqui no Brasil isso acontece muito nos programas de auditório, como Domingão do Fasutão e o Caldeirão do Huck, e também em forma de merchandising, onde os envolvidos no programa interagem com o produto para demonstrar suas características. Há controvérsias quanto ao uso do termo para a TV, uma vez que, essencialmente, merchandising define a interação do consumidor com o produto no ponto de venda. Dizem que a controvérsia acabará quanto, com a TV Digital, pudermos comprar aquilo que estamos vendo o personagem utilizar durante o programa. Ainda assim continuará a inexistir a real interação entre o consumidor final e o produto, mas a confusão do termo fica para um próximo post. Voltemos ao desenho.

Vemos no filme o Pica-Pau ficar furioso ao parar para assistir ao seu programa predileto, mas anter disso ser obrigado a ver vários anúncios dos patrocinadores. Não discuto a importância dos patrocinadores, sou publicitário e reconheço isso, mas o exagero às vezes pode mesmo atrapalhar. Assistam e depois continuem a leitura.

Eu acho o máximo quando um produto é anunciado num programa (merchandising) e a coisa toda flui tão suavemente que o telespectador, muitas vezes, nem mesmo percebe isso.

Li no Blogcitário um post sobre uma gafe cometida pelos participantes do Big Brother Brasil durante uma prova de liderança. A prova era patrocinada pela Vivo e pela Sony Ericsson, mas todos eles elogiaram o iPhone, concorrente direto de um dos patrocinadores. O Caio, em seu post, chega a levantar a questão do risco de investir em um programa onde literalmente, os participantes não seguem um roteiro. O que pode levar a gafes como esta. Assista.

Fui dar uma pesquisada e encontrei um outro post, desta vez no blog do Ciaco, em que ele, fazendo um link com o post do Caio, ressalta a importância para a Fiat, do patrocínio ao Big Brother Brasil. O Ciaco diz, em seu post, que a Fiat está satisfeitíssima com os resultados obtidos e eu, particularmente, não duvido nada disso e ainda tenho a audácia de afirmar, sem ter resultados em mãos, que todos os demais patrocinadores também estão muito felizes com os resultados.

O fato inegável é que é difícil controlar o que os jogadores do BBB irão dizer, mas não é impossível. A direção pode muito bem chamá-los ao confessionário e orientá-los a ter cuidados durante as provas e/ou momentos em que um quadro patrocinado esteja acontecendo. E mais, com toda a audiência de um BBB, praticamente qualquer empresário gostaria de ter sua marca exposta ali, mesmo que às vezes seja comparado com o concorrente. Por isso mesmo sinto muito pelo Pica-Pau, mas o show da propaganda tem que continuar.

Comportamento de consumo

Lendo o post “Duas horas no shopping”, escrito pelo Bruno Mello para o blog Direto da Redação do Mundo do Marketing, em que ele relata a sua experiência ao passar duas horas no shopping em busca de uma única camisa, lembrei de uma experiência de contexto semelhante que aconteceu comigo alguns meses atrás. Vamos ao meu relato.

Costumo ser um tanto chato com escovas de dente, geralmente tenho várias, mesmo por que preciso ter várias (para trabalho, casa, casa de minha namorada), mas o fato é sempre tenho mais que as três necessárias e gosto de ter uma de reserva guardada. Sei, pode parecer paranóia, mas é um dos meus TOC’s. ;)

O fato é que uma das últimas vezes que comprei escovas de dente, acabou tornando-se umo verdadeiro case de ponto de venda e relação de consumo. Quem diria que eu, publicitário e mercadólogo, acostumado a reconhecer padrões e formatos de venda por impulso e ferramentas de comunicação no PDV, ficaria cerca de 40 (quarenta!) minutos parado em frente a um expositor de escovas de dente! Pois é, aconteceu comigo e acontece com trocentos outros consumidores dia após dia.

Acho que a grande diferença foi o fato de que eu me dei conta do que estava acontecendo, me choquei com a situação, peguei duas das escovas que eu já conhecia – isso depois de olhar vários modelos e ler as embalagens de todos duas vezes, pelo menos – levantei e me dirigi, perplexo, ao caixa do supermercado.

Juro que fiquei estupefado com a situação. Não pelo fato de ter sido impactado pela comunicação, pelo expositor e/ou pelos produtos, mas sim por me dar conta, experimentalmente, do poder que a comunicação no PDV tem. E é muito gratificante para um profissional de marketing e comunicação, ver que seu trabalho dá um resultado bacana. Mesmo que não tenha sido realizado por você.