Anunciar ao vivo é arriscado

E pode ser doloroso. Praticamente todos nós já vimos na TV o anúncio deste produto do video abaixo, uma escada “transformers” que pode ser usada até como grelha para churrasqueira, de tantas opções que eles evidenciam.

O fato é que o apresentador fez alguma besteira na montagem do produto – ou não presta mesmo –  eacabou despencando de cima da escada ao vivo. O mais interessante são os risos da sua colega de cena e depois a mudança do tom de voz do cara, ele ficou certamente decepcionado e desconcertado.

Outro caso que pode acontecer tanto em programas de vendas ao vivo, como em qualquer outro programa ao vivo, é o caso do apresentador falar alguma besteira ou utilizar uma palavra de baixo calão. Como ocorreu com esta apresentadora do programa Shop Time, que soltou o “caralho” ao vivo e se arrependeu imediatamente.

Casos como este, de usos de palavrões, risos e etc. existem às centenas no YouTube e são mesmo mais difíceis de prever do que o anterior, quando o cara cai da escada. Claro que aquele video é antigo e hoje em dia as técnicas de vendas online são diferentes. Hoje se usam VT’s com atores interpretando o uso dos produtos, assim dá pra produzir as cenas de forma segura e zerar a possibilidade de algum acidente ao vivo.

Uma ação ao vivo, recente, e que me deixou nervoso ao assisitir, foi a da Loctite para a cola Superbonder durante a última prova do líder do BBB9. Na prova os 4 últimos participantes do programa foram colados a placas de madeira para depois descer de tirolesa, de cabeça para baixo para acertar um alvo. Não fiquei tenso por causa da segurança deles, que sabia que era perfeita por causa dos cabos e dos profissionais envolvidos, mas sim pelo risco que a marca estava assumindo, online.

Esta foi, em minha opinião, um dos mais brilhantes e arriscados momento do merchandising/propaganda ao vivo na TV do Brasil. Óbvio que eles sabiam que a cola suportaria e já tinham feitos muitos testes antes, mas mesmo assim era um risco tremendo. O diretor de marketing da Loctite e sua agência de propaganda devem ter ficado com as calças nas mãos durante a prova. E depois devem ter festejado muito, pois o resultado foi maravilhoso. Veja abaixo a primeira parte da prova e na seguência fique com os links para as outras duas partes.


Parte 2 e parte 3.

Assumir um risco alto como este, às vezes, faz toda a diferença em uma campanha mercadológica. É por estes e outros motivos, como posicionamento de marca e seu momento de entrada num mercado, que marcas como a Superbonder, Chiclet’s e BomBril se tornam sinônimo do produto e impõem o seu nome à própria categoria em que atua. Marcas que ousam ao vivo ou não, como o BomBrim com a campanha com o Carlos Moreno que foi para o Livro dos Recordes, ou que chegam primeiro ao mercado parar tornar-se sinônimos de produto e categoria merecem mesmo todo o sucesso que fazem. O investimento realizado, que deve ter sido altissímo para esta ação da Loctite, volta rápido e muitas vezes na mesma semana da ação.

Pica-Pau não gosta de propaganda

E acho que do jeito que aparece neste filme muita gente também não iria gostar. O desenho apresenta uma espécie de crítica aos excessos de inserções comerciais dentro de programas televisivos. Neste caso o formato parece muito com o de um programa de auditório.

Assim como acontece em todas (?) as emissoras do mundo, alguns programas sempre trazem anúncios inseridos em seu roteiro. Aqui no Brasil isso acontece muito nos programas de auditório, como Domingão do Fasutão e o Caldeirão do Huck, e também em forma de merchandising, onde os envolvidos no programa interagem com o produto para demonstrar suas características. Há controvérsias quanto ao uso do termo para a TV, uma vez que, essencialmente, merchandising define a interação do consumidor com o produto no ponto de venda. Dizem que a controvérsia acabará quanto, com a TV Digital, pudermos comprar aquilo que estamos vendo o personagem utilizar durante o programa. Ainda assim continuará a inexistir a real interação entre o consumidor final e o produto, mas a confusão do termo fica para um próximo post. Voltemos ao desenho.

Vemos no filme o Pica-Pau ficar furioso ao parar para assistir ao seu programa predileto, mas anter disso ser obrigado a ver vários anúncios dos patrocinadores. Não discuto a importância dos patrocinadores, sou publicitário e reconheço isso, mas o exagero às vezes pode mesmo atrapalhar. Assistam e depois continuem a leitura.

Eu acho o máximo quando um produto é anunciado num programa (merchandising) e a coisa toda flui tão suavemente que o telespectador, muitas vezes, nem mesmo percebe isso.

Li no Blogcitário um post sobre uma gafe cometida pelos participantes do Big Brother Brasil durante uma prova de liderança. A prova era patrocinada pela Vivo e pela Sony Ericsson, mas todos eles elogiaram o iPhone, concorrente direto de um dos patrocinadores. O Caio, em seu post, chega a levantar a questão do risco de investir em um programa onde literalmente, os participantes não seguem um roteiro. O que pode levar a gafes como esta. Assista.

Fui dar uma pesquisada e encontrei um outro post, desta vez no blog do Ciaco, em que ele, fazendo um link com o post do Caio, ressalta a importância para a Fiat, do patrocínio ao Big Brother Brasil. O Ciaco diz, em seu post, que a Fiat está satisfeitíssima com os resultados obtidos e eu, particularmente, não duvido nada disso e ainda tenho a audácia de afirmar, sem ter resultados em mãos, que todos os demais patrocinadores também estão muito felizes com os resultados.

O fato inegável é que é difícil controlar o que os jogadores do BBB irão dizer, mas não é impossível. A direção pode muito bem chamá-los ao confessionário e orientá-los a ter cuidados durante as provas e/ou momentos em que um quadro patrocinado esteja acontecendo. E mais, com toda a audiência de um BBB, praticamente qualquer empresário gostaria de ter sua marca exposta ali, mesmo que às vezes seja comparado com o concorrente. Por isso mesmo sinto muito pelo Pica-Pau, mas o show da propaganda tem que continuar.