Curiosidade do mercado editorial de revistas em tablets

Ontem a noite acabei lembrando que tinha a atualizacão do iOS5 para atualizar no iPad e resolvi tentar atualizar o meu. Cerca de uma hora depois, atualização feita, verifiquei que alguns apps haviam ido para o limbo.

Hoje resolvi reinstalar alguns apps para downloads das revistas brasileiras que gosto e qual a minha surpresa? Grande parte das revistas entre as 100 mais populares na App Store são publicações independentes, de empresas, sindicatos ou entidades de classe.

Mas porque algo assim esta acontecendo? O que esta levando as pessoas a baixarem aplicativos de revistas tão pouco conhecidas ou divulgadas? Foram algumas das perguntas que me surgiram.

O que posso dizer (sem nenhuma pesquisa para me basear) é que os leitores, ávidos por algum conteúdo em seus gadgeds, baixam os aplicativos destas revistas por elas serem gratuitas. Um dos grandes problemas no iPad é que os preços são taxados em dólar e para comprar algum item é necessário um cartão internacional ou gift/iTunes card. Isso dificulta a entrada de novos leitores das revistas grandes e tradicionais do País no novo mercado editorial que os tablets, em especial o iPad, criou.

Algumas das revistas que estão entre as mais populares no iPad e não são revistas “de banca”: TAM nas Nuvens (TAM), Revista Administradores, Revista da Cultura (Livraria Cultura), Revista Voz do Advogado (OAB-DF), Revista Nestlé com Você (Nestlé), Revista Natura (Natura), Revista Soluções (SEBRAE-PR), Audi Magazine Brasil (Audi), Revista Locaweb (Locaweb) e Revista Centauro (Centauro), entre outras.

Algumas outras marcas que tem suas publicações entre as mais populares são: Cruzeiro Esporte Clube, Fnac, Globo, SAP e Petrobras.

Pelo visto parece que as grandes marcas nacionais e multinacionais encontraram um bom filão para conseguir falar com seus clientes.

Uma coisa que ainda me intriga é que algumas das revistas pagas como Alfa, Exame, Info, etc., tem custos elevados e muitas vezes (ao converter de dólar para real) o preço ainda é maior que o da edição impressa. E até mesmo edições antigas, de semanas ou meses atras, continuam sendo vendidas pelo mesmo preço da edição mais recente. Uma redução no valor das edições antigas provavelmente converteria mais vendas, pelo menos eu compraria mais.

Dá uma olhada ai nas revistas que eu tinha e nas que tenho agora, após a atualização do iPad. :)

Antes

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Depois

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O consumo em movimento

Este rescunho está pronto a algum tempo, mas o post não estava completo. Hoje vi um vídeo do São Google com informações incríveis sobre o Movimento Mobile, que fala como os consumidores relacionam a web móvel em seus smartphones com o consumo. Alguns números são impressionantes e superam em muito os da web convencional, via browser no computador.

Alguns números: 42% dos usuários de smartphones clicam em anúncios, 49% destes fazem a compra, 79% pesquisam sobre o produto via smartphone antes de comprar, 49% comparam preços, 74% compram baseados em buscas feitas no smartphone, 95% pesquisam locais próximos via smartphone, entre muitos outros dados que podem ser vistos no vídeo abaixo.

Algum tempo atrás fiz um curso na UFBA, ministrado por André Lemos e outros mestres da comunicação e do estudo dos ambientes virtuais sobre Mídias Locativas. Era um curso de extensão que desnudou o momento das mídias móveis e de ferramentas como o Bluetooth, games, redes sociais e jornalismo aplicado aos ambientes movéis.

Desde então acompanho o crescimento do uso das tecnologias associadas à web móvel e não tenho dúvidas de que estamos no limiar de uma mudança significativa na relação entre o consumidor e as empresas. Cadas vez mais é necessário fazer-se presente, estar no bolso do seu cliente, oferecer mais que o produto, oferecer novas formas de relacionamento e de pós venda. Hoje em dia é necessário viver a vida do cliente, saber como ele consome, onde consome, o que prefere e, usando todas estas informações, dar a ele o que ele quer. De forma rápida, direta e discreta.

O ecommerce mobile é a nova fronteira a ser rompida. Cada vez mais empresas investem em aplicativos para sistemas operacionais móveis como o Android e o iOS. Assim estas empresas deixam de estar presente numa tela para caminhar com o consumidor, podendo atendê-lo qualquer momento, em qualquer lugar.


Telas dos apps do Sumarino para iPhone e do Buscapé para Android.

No entanto o desafio para as empresas de comércio eletrônico não para por aí. Como qualquer empresa ou marca, agora é necessário cuidar da sua imagem, fazer-se reconhecer através de conteúdos que trasmitam a sua identidade, promover interações através de stes de redes sociais como o Facebook, Twitter ou Orkut. O problema é que atuar nestes meios não é simples. Não que seja difícil, mas é fato que requer um cuidado extremo. São ambientes de interação, onde há conversa, onde um consumidor quer a resposta agora, imediatamente. Se passam 10 minutos a sensação é de haver sido esquecido por uma semana. Muitas empresas e marcas estão se apossando de forma inteligente destes novos canais e já os utilizam para coletar informações que os ajudem a oferecer conteúdos e produtos cada vez mais personalizados e focados em seus clientes.

O Facebook, por exemplo, é o que eu decidi chamar de “Mala Direta 3.0″. Uma evolução da mala direta tradicional, que todos recebemos em casa, e do email marketing. Só que agora o conteúdo é construído constantemente, direcionado, sofre alterações conforme a interação com os clientes e, melhor, chega ao consumidor porque ele quer, porque ele “curte” a marca, a empresa.

Perceba a mudança, a quebra no paradigma da comunição. Agora o consumidor não acompanha a marca porque ela enviou uma carta ou um email marketing (muitas vezes recebido como spam), agora o consumidor quer receber aquele conteúdo. É o que ele gosta, é o que deseja. E isso oferece uma oportunidade incrível de comunicação. Agora você pode falar com quem quer te ouvir, receber feedbacks de quem sabe o que quer do seu produto. Acompanhar esta comunicação pode ser mais eficiente do que dezenas de sessões de pesquisas qualitativas.

Tenho a alegria de constatar que já vivenciei algumas das mudanças mais drásticas ocorridas no processo de consumo. Entre outras, foi a mudança de consumo de informação, com a difusão da internet, depois do consumo de produtos e serviços, com os e-commerces, e agora, a radical mudança para a era do consumo em movimento.

É, em minha limitada visão, a maior oportunidade que a web oferece na década. E quiçá seja na próxima também. A oportunidade está aí, quem vai aproveitar?

UPDATE: É importante lembrar que os números não refletem a realidade brasileira. Ainda. ;)