O consumo em movimento

Este rescunho está pronto a algum tempo, mas o post não estava completo. Hoje vi um vídeo do São Google com informações incríveis sobre o Movimento Mobile, que fala como os consumidores relacionam a web móvel em seus smartphones com o consumo. Alguns números são impressionantes e superam em muito os da web convencional, via browser no computador.

Alguns números: 42% dos usuários de smartphones clicam em anúncios, 49% destes fazem a compra, 79% pesquisam sobre o produto via smartphone antes de comprar, 49% comparam preços, 74% compram baseados em buscas feitas no smartphone, 95% pesquisam locais próximos via smartphone, entre muitos outros dados que podem ser vistos no vídeo abaixo.

Algum tempo atrás fiz um curso na UFBA, ministrado por André Lemos e outros mestres da comunicação e do estudo dos ambientes virtuais sobre Mídias Locativas. Era um curso de extensão que desnudou o momento das mídias móveis e de ferramentas como o Bluetooth, games, redes sociais e jornalismo aplicado aos ambientes movéis.

Desde então acompanho o crescimento do uso das tecnologias associadas à web móvel e não tenho dúvidas de que estamos no limiar de uma mudança significativa na relação entre o consumidor e as empresas. Cadas vez mais é necessário fazer-se presente, estar no bolso do seu cliente, oferecer mais que o produto, oferecer novas formas de relacionamento e de pós venda. Hoje em dia é necessário viver a vida do cliente, saber como ele consome, onde consome, o que prefere e, usando todas estas informações, dar a ele o que ele quer. De forma rápida, direta e discreta.

O ecommerce mobile é a nova fronteira a ser rompida. Cada vez mais empresas investem em aplicativos para sistemas operacionais móveis como o Android e o iOS. Assim estas empresas deixam de estar presente numa tela para caminhar com o consumidor, podendo atendê-lo qualquer momento, em qualquer lugar.


Telas dos apps do Sumarino para iPhone e do Buscapé para Android.

No entanto o desafio para as empresas de comércio eletrônico não para por aí. Como qualquer empresa ou marca, agora é necessário cuidar da sua imagem, fazer-se reconhecer através de conteúdos que trasmitam a sua identidade, promover interações através de stes de redes sociais como o Facebook, Twitter ou Orkut. O problema é que atuar nestes meios não é simples. Não que seja difícil, mas é fato que requer um cuidado extremo. São ambientes de interação, onde há conversa, onde um consumidor quer a resposta agora, imediatamente. Se passam 10 minutos a sensação é de haver sido esquecido por uma semana. Muitas empresas e marcas estão se apossando de forma inteligente destes novos canais e já os utilizam para coletar informações que os ajudem a oferecer conteúdos e produtos cada vez mais personalizados e focados em seus clientes.

O Facebook, por exemplo, é o que eu decidi chamar de “Mala Direta 3.0″. Uma evolução da mala direta tradicional, que todos recebemos em casa, e do email marketing. Só que agora o conteúdo é construído constantemente, direcionado, sofre alterações conforme a interação com os clientes e, melhor, chega ao consumidor porque ele quer, porque ele “curte” a marca, a empresa.

Perceba a mudança, a quebra no paradigma da comunição. Agora o consumidor não acompanha a marca porque ela enviou uma carta ou um email marketing (muitas vezes recebido como spam), agora o consumidor quer receber aquele conteúdo. É o que ele gosta, é o que deseja. E isso oferece uma oportunidade incrível de comunicação. Agora você pode falar com quem quer te ouvir, receber feedbacks de quem sabe o que quer do seu produto. Acompanhar esta comunicação pode ser mais eficiente do que dezenas de sessões de pesquisas qualitativas.

Tenho a alegria de constatar que já vivenciei algumas das mudanças mais drásticas ocorridas no processo de consumo. Entre outras, foi a mudança de consumo de informação, com a difusão da internet, depois do consumo de produtos e serviços, com os e-commerces, e agora, a radical mudança para a era do consumo em movimento.

É, em minha limitada visão, a maior oportunidade que a web oferece na década. E quiçá seja na próxima também. A oportunidade está aí, quem vai aproveitar?

UPDATE: É importante lembrar que os números não refletem a realidade brasileira. Ainda. ;)

E até o Google foi anunciar na TV

Eu vi no ViuIsso, blog do Michel Lent e decidi postar aqui para dar minha opinião.

Lá o Lent diz que esta é a primeira vez que o Google vai a TV para anunciar, mesmo que pelo Google TV Ads. Acho válida a investida, não que o Google precise disso, mas por quê não fazer publicidade do seu produto, neste caso o navegador Google Chrome, também na TV? O AdAge, diz Lent, relatou isso como um retrocesso. Eu digo que as mídias se complementam e que publicidade quase nunca é demais.

Passe numa lanchonete McDonalds e conte quantas vezes o logo aparece. Eu contei 9 duplos arcos dourados numa loja aqui de Salvador. Então, mesmo o Google tendo a maior visibilidade da web mundial, acho bacana ver a empresa usar uma mídia tradicional para comunicar.

Quanto ao video em si, gostei muito da produção, do fato de ser um filme em stop motion (estou certo?) e de mostrar o principal, que o Google Chrome é limpo. Pra mim foi essa a mensagem principal. A de que o navegador não tem tantos complementos como os concorrentes. Pra falar a verdade não conheço complemento algum. Veja o video.

Como assim Google?

Faça o seguinte teste: acesse o Google Tradutor e traduza a frase “USA é o país que mais polui no mundo” do português para o inglês e veja o resultado. Vindo do Google eu não esperava algo assim, mesmo eles sendo estadunidenses, não esperava que tirassem o fiofó dos EUA da reta desse jeito. Pra quê ter um tradutor online se o sistema não traduz corretamente? E não adianta vir dizer que é mais uma das brincadeiras da empresa, por que se fosse brincadeira eles deveriam dar a resposta certa logo em seguida, e isso não acontece.
Clique aqui para ver.

E funciona com qualquer crítica que você escrever contra o EUA. Eu fiz esse, esse e esse. Veja todos.

Só que se tirarmos o USA do começo da frase, a coisa funciona corretamente. Veja!