As pessoas enxergam, ouvem, compreendem e aceitam (ou não) aquilo que lhes é conveniente. Por exemplo, eu posso falar que as maçãs da foto ao lado são uvas e que uvas são maçãs. Cabe a você aceitar isso como verdade ou não. É sério. Não importa, à luz do indivíduo, o que diz o dicionário. A verdade é um ponto de vista, já dizia Nietzsche. A sociedade pode retrucar, seus amigos podem zombar de você, seu professor lhe dar uma nota negativa por isso, nada importa. O que importa é que se você batizar a maçã de uva, ela será uma uva. Pelo menos para você.
Antes de continuar, aviso, este é um post que tratará de política, eleições, os três candidatos principais da disputa (incluindo aqui também o primeiro turno), Tiririca, nós (os eleitores) e a verdade de cada um.
Voltando ao assunto, é assim, com eleitores se apropriando de verdades alheias ou definindo as suas e as vomitando internet afora que a campanha caminha para terminar. Vejo no Twitter muita gente dizendo que Serra mente ou tem mil caras, que Dilma é comunista ou fascista, que Marina seria incompetente para presidir o País ou que só entende de Meio Ambiente, mas não vejo ninguém fazer uma análise comparativa decente entre os candidatos (sim, incluo Marina aqui).
Recebo emails com o “curriculum vitae” mostrando que Serra tem mestrado aqui e acolá e que Dilma mentiu ter. Ou que Dilma executou com brilhantismo o Minha Casa Minha Vida e que Serra tentou eliminar o programa X ou Y. Que Marina é excelente em Meio Ambiente, mas não serve para presidência. Que isso ou aquilo, etc. e tal. Sabe o que faço com estes emails? Abro, passo o olho e apago. Meu voto, disso tenho certeza, não será influenciado por campanhas secundárias realizadas por militantes no twitter ou por emails. E isso porque a minha verdade não é a mesma verdade sua ou destes militantes.
Comecei o post com a frase “As pessoas enxergam, ouvem, compreendem e aceitam (ou não) aquilo que lhes é conveniente.” porque, em certo momento destas eleições, uma pessoa que conheço disse que um(a) candidato(a) declarou votar em outro mas que não havia dito isso com todas as palavras, mas disse, bastava você querer ver isso. É aí, neste ponto, que a verdade deixa de ser algo Universal, pertencente ao campo das Leis da Física e etc., e se torna algo relativo, pessoal e particular. Este amigo viu o que quis, o que lhe é conveniente. Se ele me dissesse que comeu uma maçã tendo comido um pão de queijo eu lhe diria que ele estava enganado, tentaria explicar, mas não necessariamente o convenceria. Poderia até mesmo irritá-lo. E irritar um militante pode ser perigoso, pois estes são “combatentes, ativos por uma causa” como diz o tio Michaelis aqui ao lado.
A verdade meus caros, é que nenhum deles (os candidatos) diz verdade alguma. Não adianta se tremer como siri em lata, a minha verdade é que nossas opções à presidência este ano foram muito ruins. Mas, MUITO, ruins mesmo.
Alguns amigos meus, militantes de partidos de esquerda ou direita (verdades confusas, afinal porque existe essa metáfora espacial?) defendem de forma tão ferrenha os seus candidatos que acabam escrevendo 500 posts por dia sobre isso (razão pela qual tive que bloquear ou deixar de seguir temporariamente alguns no twitter, infelizmente). Estes amigos votam em candidatos de um único partido, mesmo que as opções sejam Tiririca ou Popó (isto é apenas um exemplo). Não os critico, mas isso vai de encontro à minha verdade. Eu votei, no primeiro turno, em seis candidatos de seis partidos diferentes. Votei em oposicionistas e governistas. Votei em siglas tão distintas como DEM e PT, PSOL ou PMDB. Além do PV e PR. Estes meus amigos dirão que sou maluco, mas a minha verdade me diz que as ideologias partidárias, individualmente, são o pior para o meu País. Eu acredito na multiplicidade de ideias e ideais.
Ideias e ideais são palavras parecidas que definem pensamentos e atitudes de qualquer pessoa, seja eleitor ou candidato. Quando digo que acredito em ideias e ideais e declaro ter votado em seis partidos distintos você pode pensar que sou louco ou contraditório, mas nos dias em que vivemos, quando partidos fazem coligações absurdas e completamente desconexas de município para município, de estado a estado, votar em partidos distintos me parece a melhor forma de votar nos ideais em que creio.
Isso porque voto no candidato, naquilo que ele já realizou ou em seu potencial. Voto na confiança que sinto ao ouvir um discurso seu, nas ideias que ele expressa. E voto em ideias e ideais até mesmo distintos, porque assim, com opiniões divergentes, acredito que propostas e projetos inteligentes também podem sair do papel.
Vejo artistas de que gosto apoiarem A ou B e acho intrigante. Um ator que admiro deu várias entrevistas defendendo o “fim do latifúndio”. Sou absolutamente contra o que ele chama de “fim do latifúndio”, uma ideia (me parece que marxista) que não entendo como se encaixaria no modelo de desenvolvimento capitalista em que estamos inseridos. Nem por isso o critico. Ora, é a verdade dele. É no que ele crê.
O que defendo com este post, já longo, é que acreditemos em nossas verdades, mas que respeitemos o direito do outro de acreditar nas suas verdades particulares. Mesmo que o outro queira crer que uvas são maçãs.
Daqui a poucos dias a Nação elegerá seu próximo presidente por, pelo menos, quatro anos. Eu preferiria que fossem cinco anos sem opção de reeleição, mas isso é passado. Este ou esta presidente ou presidenta terá um papel fundamental no futuro de cada um de nós, mesmo que você não creia nisso. O orçamento que controlará, a Copa, as obras para as Olimpíadas, a chuva de reais e dólares que estão vindo.Tudo isso irá mudar o País para o bem ou para o mal (duvido que para o mal mesmo que a gestão seja mal conduzida) para sempre. Espero que você vote baseado em suas verdades e não nas verdades vomitadas por algum militante.
Mesmo sabendo que isso não importa, espero que sua verdade seja próxima da minha. Mas isso só porque eu acredito na minha própria verdade.


A campanha política aqui em Salvador está pegando fogo, cada dia temos versões novas dos jingles, ataques na tv, debates em rádios e entrevistas nos veículos locais. Três dos cinco candidatos lançaram versões de jingles em que se repete efusivamente o seu número político.