"Marketing e inovação trazem resultados, o resto são custos." Peter Drucker

Três vivas à civilidade e ao civismo. Será?

Hoje pela manhã presenciei uma cena triste. Um caminhão carregado com cerveja em lata quebrou no que chamamos aqui em Salvador de Acesso Norte, trecho que liga alguns bairros periféricos ao centro da cidade. Um destes bairros, inclusive, é onde resido. Infelizmente, quebrou bem em frente a um dos mais populosos e menos favorecidos dos bairros da cidade. Não sei até que ponto humildade e oportunismo podem estar associados, mas o fato é que o povo caiu, literalmente, em cima da cerveja. Uma total falta de civilidade com os profissionais responsáveis pelo carreto e de civismo, envergonhando aqueles que ali passavam ou precisavam passar para se dirigir ao trabalho, atrasando a produtividade diária de muita gente e até ameaçando alguns dos motoristas que queriam seguir, incólume, o seu caminho.

Quiseras eu ter tido a oportunidade de fazer umas fotos do ocorrido, mas estava de moto e poderia ser roubado e agredido, então preferi ficar quieto até conseguir passar pelo caminhão e ir embora.


Imagem figurativa copiada do Google Imagens. Não representa o ocorrido. Foi pior!

É muito triste ver pessoas se acotovelando, subindo umas nas outras e até brigando por um pacote com 12 latinhas de cerveja (alguns levavam dois pacotes), mas também dá margem para pensar um pouco no desenvolvimento de nossa sociedade, na educação do povo e nas profundas ranhuras existentes em cada um de nós. Claro que após o roubo-furto-saque muitos vão direto colocar as suas latinhas para gelar para, quem sabe no almoço, fazer aquele “churrascão de laje” e comemorar com os amigos. Não posso garantir que isso de fato aconteça, mas não dá para pensar em muitas coisas diferentes disso. Não vejo também se há algo a comemorar depois de furtar uma empresa e deixar seus trabalhadores aflitos com isso.

Pelo contrário, acho que são estes os momentos em que não há nada a se comemorar. Para mim isso é reflexo de ignorância, falta de oportunidade de trabalho, falta de convivência pacífica com os demais, falta de, reitero, civilidade e civismo. E é nestas horas em que enxergamos claramente a essencia humana. Me pergunto quantos dos que roubaram aquelas cervejas irão colocá-las em uma caixa de isopor para vender e fazer algum dinheiro para alimentar a família. Provavelmente nenhum. Naquele momento aquelas pessoas eram apenas mais algumas dezenas de animais racionais desejando entusiasticamente de forma instintiva embebedar-se. Quem sabe assim, com a dor dos outros, não aliviariam a sua própria? Ou esqueceriam dela por algum tempo.

No entanto, nada justifica a violência, o furto e o desrespeito às Leis. Mas você acha que alguém será punido? Eu duvido. Vi uma viatura da polícia militar cerca de 1 km depois do ocorrido que se encaminhava para lá. O pior de tudo é pensar que os políciais provavelmente irão inibir a população em troca de algumas latinhas. Uma lástima social generalizada.

Posted on 30 Setembro '08 by Leonardo Araujo, under Brasil, Salvador, É a vida. 6 Comments.

O brasileiro está lendo mais!

A última enquete que lancei aqui no blog perguntou sobre a quantidade de livros que cada brasileiro leu até este ano. O resultado foi bacana, mas ainda um pouco preocupante. Entre os que responderam, 39% declararam ter lido entre 1 e 2 livros este ano, 16% entre 3 e 5 livros e 25% disseram ter lido mais de 5 livros. Entre estes últimos 14% afirmam haver lido mais de 10 livros somente neste ano! Mas ainda 20% responderam que não leram nenhum livro, o que representa 1/5 do total de respostas. Segundo a enquete, 1 em cada 5 dos que responderam declararam que não leram nada em 2008, o que é um número ainda alarmante.

Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (download aqui) encomendada pelo Instituto Pró-Livro ao Ibope Inteligência, o brasileiro, atualmente lê em média 4,7 livros por ano. A pesquisa também constatou que lê-se mais à medida em que o grau de formação aumenta. Pessoas com formação superior lêem 8,3 livro por ano, enquanto aqueles que só tem o Ensino Fundamental lêem 3,7 livros no mesmo período de tempo.

O bacana é que os jovens são os que mais lêem no país. Isso indica que teremos adultos mais cultos e que, por consequência, as próximas gerações tendem a ler cada vez mais livros. Entre os leitores no país, 39% têm entre 5 a 17 anos e 14% entre 18 e 24 anos, o que representa 53% do total!

A pesquisa também indicou que, mesmo lendo em média 4,7 livros por ano, o brasileiro compra em média 1,1 livro por ano. Isso quer dizer que um mesmo livro é lido por mais de 4 pessoas em média. Eu, como comprador e leitor bem acima das médias encontradas na pesquisa e por já ter perdido alguns bons livros por emprestá-los, agora só os empresto a quem tem bom histórico. Mas isso de ler mais do que comprar deixa claro o quanto somos um povo solidário.

Os resultados são melhores do que os levantados em pesquisas anteriores. Isso tudo é muito legal e se reflete, a longo prazo, em desenvolvimento social, cultural e econômico.

Vale conferir outro levantamento interessante, apresentado pela revista Veja desta semana, que trata dos números de fecundidade no país. Hoje temos uma média de 1,8 filhos por mulher, nos anos 70 a média era de 5,8! Isso também é reflexo de educação, desenvolvimento social e econômico e, por quê não, de mais leitura. É por essas e outras que, mesmo com muitos problemas nos Poderes que regem o Brasil, eu acredito neste país.

Leia mais sobre o assunto e a pesquisa:
Livros por Região;
O brasileiro lê 4,7 livros por ano;
Livro, biblioteca e Leitura no Brasil.

Posted on 1 Agosto '08 by Leonardo Araujo, under Brasil, Cult, Livros, Pesquisa. 1 Comment.

Jogos de Tabuleiro, uma análise social

Hoje, em plena era do conhecimento, onde vivemos separados por estados, países e continentes físicos, mas que em ambiente virtual assumiram a qualidade de terra sem fronteiras, como podem sobreviver os jogos de tabuleiro, produtos estritamente sociais e tangíveis e que, por isto mesmo, necessitam de interação real?

Após algumas pesquisas e, principalmente por ser eu um jogador de alguns destes jogos, acredito que consegui reunir algumas das características mais marcantes para que eles se perpetuem nos dias atuais.

Jogos de tabuleiro constituem, junto com as cartas e dados, talvez, o grupo mais antigo de jogos mais inteligentes e rebuscados da humanidade. Podem ser simples e ter regras básicas como o jogo de Damas, ou ser mais complexo e exigir muitos cálculos matemáticos, como o Xadrez, mas todos têm em comum a necessidade do relacionamento, da sociabilidade. E acredito que este seja um dos pontos que mais motivam jovens e adultos a aderir aos diversos tipos e formatos destes jogos.

Por algum tempo eu mesmo pensei que se tratava nada mais, nada menos, do que um sentimento geral de nostalgia, mas após alguma reflexão e depois de pesquisar, vi que é muito mais do que isso. Claro que temos uma pitada de nostalgia por trás dos boardgames, mas identifiquei claramente três dos principais motivos que fazem com que este entretenimento ganhe força e cresça em meio a Playstations, Xbox 360, Wii e PCs superdotados que possuem jogos com gráficos e desafios quase inimagináveis.

Motivos para jogar

O primeiro, e principal em minha opinião, é a sociabilidade. Sociabilidade é o que nos leva a viver em sociedade, em conjunto. É a necessidade que temos de estar perto de outros que compartilhem dos nossos desejos e sentimentos.

Com o desenvolvimento das tecnologias da informação, mais pessoas passaram a se isolar mantendo relações virtuais e, com o tempo, a vontade de ter alguém por perto fisicamente, um amigo, irmão, namorado(a), tornou-se mais evidente. É daí então que surgem os grupos, que em grandes metrópoles tornaram-se tribos, numa alusão direta aos diversos e distintos grupos indígenas que viveram em nosso território.

Este motivo é o que faz com que amigos, como eu e alguns dos meus, se reúnam para conversar, colocar as novidades em dia e jogar jogos de tabuleiro. Acho que se fizer um levantamento dos jogos que eu e meus amigos temos, deverei chegar a uma lista com todos os principais e mais famosos jogos já lançados aqui no Brasil. Lembro que temos War I, War II, War Império Romano, Banco Imobiliário, Perfil, Imagem & Ação, Interpol, Jogo da Vida, Uno, e com certeza outros de que não me lembro agora.

Para celebrar o momento de estar com os amigos, alguns grupos criam blogs e sites para divulgar as suas jogatinas e tentar assim, apaixonar alguns novatos nesta “arte”.

O site mais bacana que eu conheço sobre o assunto aqui no Brasil é o Ilha do Tabuleiro, uma verdadeira comunidade virtual que reúne jogadores d e todo o país para discutir, vender, comprar e divulgar seus jogos.

Este site mantém um ranking online e atualizado a todo o momento com os jogos mais populares da comunidade. No momento do fechamento deste post, o ranking estava assim:

1º War - Império Romano
2º Jogo do Quarteto Fantástico
3º 12 Jogos - Super diversões
4º Show do Milhão 1, 2 e 3
5º Jogo Chinês
6º Scotland Yard
7º Barbie e a Magia de Aladus
8º HeroQuest
9º Jogo da Vida
10º Littlest Pet Shop

Na pequisa instantânea que fiz aqui no blog (imagem ao lado) o resultado final apresentou em primeiro lugar o jogo War (sem distinção de tipo), seguido por Banco Imobiliário e Jogo da Vida.

No ranking da Ilha do Tabuleiro, aparece em primeiro uma das variações do War, tendo o Jogo da Vida em 9º e o Banco Imobiliário em 28º.

Um dos blogs mais legais que conheço é o Jogo de Tabuleiro, onde vários amigos apresentam suas rodadas dos mais diversos jogos. Vale a pena conhecer.

O segundo motivo é a educação. Alguns jogos são criados para antes mesmo de entreter, educar. E praticamente todos eles são educativos. Uma vez que estimulam capacidades espaciais, matemáticas, estratégicas, de memória e raciocínio lógico dos competidores.

No livro Pai Rico, Pai Pobre um dos exemplos citados como importantes para o aprendizado financeiro, é um jogo de tabuleiro. Conhecido como Cashflow (sem versão nacional) o jogo, composto por duas pistas, objetiva ensinar aos participantes a sair da pista interna, chamada de “Corrida dos Ratos”, e alcançar a pista externa, denominada “Pista de Alta Velocidade”. Através de cálculos financeiros à moda Banco Imobiliário, os jogadores tentam ficar ricos, mas para isso precisam superar obstáculos e aprender com os erros para chegar à Pista de Alta Velocidade, que é por onde os ricos na vida real circulam.

O terceiro motivo, que ganhou novos atores nos últimos anos, é o negócio. Não bastasse as empresas fabricantes e os criadores dos jogos lucrarem, encontrei um exemplo bastante interessante de forma de negócio que conta com o sucesso dos boardgames para se desenvolver e crescer.

Os mais conhecidos fabricantes de jogos desta natureza aqui no Brasil são a Grow e a Estrela, com alguns outros concorrentes não tão expressivos. A Grow leva o seu negócio tão a sério que é possível pedir, através do seu site, muitas vezes sem custo, peças de reposição e cartelas de regras dos jogos que negocia. Há também informações sobre eventos e alguns jogos online como Super-Trunfo e Lince.

Há também empresas que desenvolvem jogos corporativos sob encomenda. É o caso da SB Jogos, que cria jogos para servir de brindes, para treinamentos específicos e, por que não, como brinquedos.

Mas o melhor exemplo que encontrei foi a Ludus, que é um bar paulistano que conseguiu unir os jogos de tabuleiro ao seu negócio e tornou a sua verdadeira essência. O bar tem cardápio de jogos e até mesmo um tabuleiro de xadrez gigante, que fica no pátio em frente à entrada principal. Eles também mantêm um blog e um álbum no Flickr, onde dá para ver que o lugar está sempre bem movimento. É legal ver que iniciativas assim, atípicas e provenientes de uma boa idéia tem mercado para crescer no Brasil.

Depois de ver tudo isso sobre o momento atual dos jogos de tabuleiro e suas tendências, espero que você também passe a acreditar que nem sempre é só nostalgia ou saudosismo que movem o mercado de determinados produtos ou serviços. É sempre bom estar atento e procurar descobrir o que pode estar por trás de uma nova tendência. Quem sabe assim você constrói uma boa idéia sobre o assunto, passa a aprender mais e, até mesmo, pode ganhar uma boa grana com o que antes não acreditava de fato.

Depois de ler tanto, você merece um bom link para relaxar. Então clique aqui e divirta-se com alguns jogos de tabuleiro online.

Posted on 12 Junho '08 by Leonardo Araujo, under Cult, Game. 3 Comments.