"Marketing e inovação trazem resultados, o resto são custos." Peter Drucker

A palavra da moda é Gestão

Tenho percebido que esta palavra que dá título ao post têm sido cada vez mais falada na televisão. Principalmente pelos comentaristas da Globo, Alexandre Garcia e Miriam Leitão. Também em meu ambiente de trabalho ela têm sido muito proferida. Antes de entrar no assunto, vamos primeiro ver a definição de Gestão pelo Dicionário Aurélio:

GESTÃO [Do lat. gestione.]
S. f. (Substantivo feminino)
1. Ato de gerir; gerência, administração.

Como se vê, gestão nada mais é que um sinônimo para administração. O grande problema, e aqui irei entrar de fato no assunto, é a forma como esta palavra “gestão” têm sido empregada em determinados momentos e situações. Sejam estas jornalísticas ou profissionais. Este post também não tem objetivo de ser partidário. Deixo claro sê-lo totalmente apartidário.

Nas expressões televisivas dos comentaristas citados acima, a palavra ela têm sido sempre empregada para enfatizar a bagunça geral em que se encontram algumas das repartições públicas e também o mal uso das verbas públicas. Para estes o que falta é… gestão! Falta gestão no setor aéreo, gestão das verbas da saúde, gestão econômica e por aí vai. Não pretendo aqui defender os gestores públicos, afinal muitos deles são apadrinhados políticos e não conhecem absolutamente nada daquilo que lhes foi dado a comandar, mas acho que de tanto usar a palavra seu sentido pode acabar por se tornar chulo ou fora de contexto.

Estes competentes jornalista utilizam a palavra de forma, ao meu ver, correta, mas não de todo coerente. Falo isso por que sinto que a ênfase dadas por eles não é, como este post pretende ser, apolítica. Assim, a palavra já sai de suas bocas viciada e cheia de prerrogativos que acabam por torná-la algo maior e, por conseguinte, a sua falta torna-se algo ainda mais faltoso e negro. Concordo plenamente que há grandes falhas na gestão pública, em todos os setores e, enquanto houver políticos como os nossos, isso infelizmente sempre haverá. Só devemos ter cuidado com a ênfase que damos às palavras.

Quanto ao uso dela em meu trabalho, o grande problema que percebo é a imensa lacuna entre a palavra proferida como substantivo e a palavra como verbo, transformada em ação ou neste caso, a falta desta. Existe uma grande diferença entre gerir e dizer que o faz. E depois de tanto escutar esta palavra e não perceber o ato dela em si, esta começa a tornar-se vazia para mim.

Cheguei então ao ponto chave do post. De tanto escutar esta palavra e não perceber os atos que sua aplicação podem proporcionar, ela passou a ser algo vago e distante para mim. O objetivo deste post é mostrar o quanto o uso indiscriminado de uma palavra pode prejudicar o seu sentido final e seu reconhecimento como ato. Gestão é uma das palavras da moda, do momento. Tornou-se fashion dizer que: “é necessário gestão!”; “o que falta é gestão!”; etc.

Tomemos esta palavra como exemplo para não incorrermos no erro de vulgarizar outras que, por acaso da vida, da nossa política ou de seja lá o quê, venham a tornar-se a próxima palavra do momento a correr o risco da vulgarização.

Posted on 4 Setembro '07 by Leonardo Araujo, under Cult, Profissional. No Comments.