O ciclo de vida da internet

Não sou nenhum completo nerd, mas sempre estive muito ligado à internet e ao seu desenvolvimento. Pra se ter uma idéia, eu usava o VTX (video texto) da extinta Telebahia Celular para bater papo online, via DOS (isso mesmo! com linha de comando!), quando o mIRC nem sequer havia sido inventado.

O primeiro computador que eu usei foi um IBM 386 DX40 que tinha incríveis 2MB de memória, rodava a 40MHz, tinha aquele drive gigante de 5 1/4″ e acho que uns 40 megas de memória, uma verdadeira Ferrari. Acho que só levava uns 20 minutos pra ligar.

Logo depois, acho que em 1995, eu já usava o fantástico PC IBM 486 DX4 (como o da foto) com 100MHz, 2Gigas de HD e 32MB de memória. Foi quando começei a usar o Windows 3X. Esse acho que tinha até botão turbo, que aplicava outros 33MHz no processador.

A internet eu começei a usar numa conexão de 4.800 bits por segundo (um modem só ia até 14.400) em linha discada que levava um século para conectar. Existiam o ZAZ e mais uma ou outra página legal na web. E assim como eu, uns poucos tinham acesso à rede. E olha que eu era sortudo, por que até linha telefônica ainda era complicado ter. Eu usava o computador do mercado que meus tios tinham e, sempre que fechávamos o comércio, logavamos na rede para navegar. Comédia era quando encontrávamos um perdido site pornô. As fotos (só existiam fotos e todas toscas) demoravam muito para abrir e era aquela expectativa mental “peitinho, peitinho, peitinho…” e a linha caia quando a foto havia começado a mostrar o pescoço. Lembro do UOL no começo também. Eu fui assinante lá por volta de 1998. A página era tosca.

Daqueles anos do final da década de 90 até o começo dos anos 2000, a internet cresceu vertiginosamente, mas ainda eram poucos os usuários. Já existiam alguns blogs desde 1998, mas a popularização só viria a acontecer em 2001, quando o extinto Weblogger, entrou em operação.

É desta época meu primeiro blog. O leoaraujo.weblogger.com.br com o título de Inutilidade Pública. O conteúdo deste blog se perdeu e infelizmente não tenho o histórico do que havia escrito por lá. Depois veio o sistema Blogger, que foi associado à Globo.com e oferecia o serviço de blogs gratuitos como o Weblogger. Neste sistema o meu blog durou cerca de 2 anos, do fim de 2002 até meados de 2004. Deste muita coisa está salva comigo e mas também muita coisa se perdeu no servidor do Blogger. Depois, em 2004, quando assinei pela segunda vez o UOL, passei a usar o sistema deles, o zip.net e por sorte todo o conteúdo está a salvo comigo. Depois vieram os blogs com domínio próprio e do qual eu tenho todo o histórico até chegar neste atual.

Dizem que existe uma máxima que diz que “uma vez na internet, sempre na internet”. Se isso é verdade alguns dos meus textos devem estar por aí, boiando em blogs e sites quaisquer e muitas vezes com o crédito revertido em favor de outras pessoas. É como acontece com os spams que recebemos, muitos deles trazem textos de Arnaldo Jabor, Verissímo e outros autores, mas na verdade nunca foram escritos por eles.

Ainda bem que não perdi os meus poemas, contos, histórias, prosas e versos, assim ainda tenho a oportunidade de um dia ou vez ou outra, trazer um deles para cá. O fato, meu caro leitor, é que não há a mínima garantia de que irão te respeitar, uma vez que você divulgar alguma coisa que escreveu, criou ou produziu na internet. Aqui é terra de ninguém e o inferno para os defensores do direito à propriedade intelectual.

Uma outra coisa que interessante que eu penso sobre a internet é o seu ciclo de vida propriamente dito. Ou você acha que a internet não tem ciclo de vida, assim como um produto ou serviço qualquer? Lembra quando falei no começo do post sobre o VTX, aquilo era o começo da internet pública e do seu ciclo de vida para nós, brasileiros. Agora estamos passando pelo que eu acredito ser ainda a fase de expansão, depois iremos para uma longa (ou curta, afinal falamos de internet) fase de maturidade para que depois, quando começar a decair, toda a sua tecnologia seja substituída (talvez isso já esteja acontecendo em parte).

Para a internet eu já percebo uma diferença substancial na curva do ciclo. Geralmente, para produtos/serviços, uma curva é longa e duradoura. Mas acho que para a internet o arco do ciclo de vida pode ser muito mais curto em comprimento do que em altura. Se convertido em gráfico, deve apresentar algo como a imagem abaixo.


• Dados figurativos. Considerar apenas como exemplo.

Um dos principais reflexos da acentuada curva deste ciclo e que podemos presenciar é o chamado cemitério virtual. Existem hoje muitos blogs e sites antigos e toscos e de tecnologias ultrapassadas, que não sofrem manutenção ou atualização há anos e que, mesmo assim, continuam por aí, como almas penadas virtuais. Urls que volta e meia assustam algum designer desavisado. Será que os mantenedores da web, os grandes centros que mantém a rede em funcionamento no mundo (a internet não é auto-suficiente!), não tem como repensar um jeito de excluir todo e qualquer site que seja gratuito e que nãotenha sofrido atualizações nos últimos, digamos, dois anos? Acho que isso ajudaria a extender a fase de crescimento da web, ao disponibilizar menos ruído e mortos-vivos online. Mas, quem sabe eu estou certo e, daqui a alguns anos surja uma nova e mais poderosa internet. Seria ótimo ver esta curva de ciclo de vida se renovando constantemente.

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