propaganda • prosa • poesia • tendências • e tudo o mais
Marketing Político aqui e lá
Campanhas políticas movimentam toneladas de grana e são capazes de transformar candidatos medianos em políticos superstars. Isso é igual aqui e nos EUA. E deve se repetir mundo afora, mas não tenho como afirmar. O Brasil tem muitos excelentes mercadólogos políticos (não gosto do termo marketeiro) e alguns dos bons – me arrisco a dizer – são baianos.
A campanha de Lula à presidência em 2003, o trabalho de Duda Mendonça foi fundamental para que o resultado fosse tão expressivo. Claro que Lula já era candidato há várias eleições (todas desde a redemocratização) e que seu nome já estava na boca do povo. Eu me lembro com muita satisfação de alguns videos e jingles daquela campanha. Eram realmente sensacionais, de arrepiar mesmo. A letra era muito boa (Bote essa estrela no peito / Não tenha medo ou pudor…) e a música entoava emoção. E isso tudo ajuda muito a fazer com que eleitores indecisos escolham este ou aquele candidato. A campanha pode fazer toda a diferença.
Aqui em Salvador, nestas eleições, vimos campanhas excelentes, algumas com seus deslizes, mas o meu parabéns vai em especial ao publicitário Mauricio Carvalho, que liderou a campanha de João à reeleição.

Fotos da galeria do threecee no Flickr
Se dividirmos em turnos, digo que no primeiro turno a melhor campanha foi a de Pinheiro, que o alavancou do quarto ao segundo lugar e a pior foi a de Imbassahy, que tinha um jingle que não “colouahy” e que apelou para a agressividade muitas vezes. A de ACM Neto estava ótima, até tacharem ele de “menino”, isso foi um verdadeiro tiro de bazuca do Rambo no pé. Os adversários adoraram e fizeram a festa, também, quem aqui é menino pra querer um menino à frente da Prefeitura? Quanto a Hilton50 (o nome dele colou no número) ele não tinha grana e nem parecia querer fazer algo mais bonito. Mas eu acho que ele, com um bom trabalho de marketing, chegaria facilmente à Câmara Federal. Bobo ele não é.
Já no segundo turno, Pinheiro partiu para o ataque e a campanha mudou o tom em relação ao primeiro turno. Já não era mais a mesma, apesar de continuar boa e com um bom apelo emotivo. A de João também não foi a mesma, mas a mudança aqui foi espetacular. Foi, a meu ver, a melhor campanha para prefeito que Salvador já viu em todos os tempos. Os jingles (vários!), os vídeos, as chamadas, tudo impecável.
Para a campanha de ACM Neto, os responsáveis foram o gaúcho Adriano Gehres e o jornalista baiano Pascoal Gomes. Adriano é publicitário de longa data e só participou de duas campanhas antes desta, a do senador Delcídio Amaral em 2002 e a de Lula em 2006.
Antonio Imbassahy teve Alessandra Augusta à frente de sua campanha. Ela já trabalhou com João Santana, marketeiro de Lula e com Duda Mendonça. Ela é experiente e já trabalhou em 23 campanhas para governos estaduais, prefeitos de capitais, ao senado e na campanha de José Serra para presidente em 2002.
Foi Sidônio Palmeira, experiente marqueteiro baiano, e proprietário da agência Leiaute Propaganda, que trabalhou na campanha de Walter Pinheiro. Sidônio também foi marketeiro de Jaques Wagner ao governo no estado em 2006.
No entanto, mesmo com tantos e bons marketeiros, quem levou a melhor foi Maurício Carvalho, que teve que reverter a grande rejeição de João e acabou fazendo um trabalho de mestre na campanha. Falando com um amigo pelo msn esta semana ele me disse que Maurício é “um monstro”, no sentido de ser muito bom no que faz. Ele venceu e convenceu.
Agora uma campanha política que está dando mesmo o que falar é a de Barack Obama para Presidente dos Estados Unidos. Além de arrecadar mais de US$ 600 milhões (eles nem sabem mais o que fazer com tanta grana) o democrata conta como o apoio de muitos artistas e músicos, o que lhe ajuda muito, pois estes participam da campanha criando cartazes como este ao lado (clique para ver mais), banners, bottons e tudo o mais que se possa imaginar.
Mas John McCain também não fica atrás, apesar de não ter nem a metade da grana de Obama. E quem resolveu ganhar uma grana (talvez para ajudar na campanha), foi uma filha do candidato republicano. Ela criou um site/blog/loja em que vende souvernirs de campanha da chapa McCain/Palin. Lá é possível comprar desde um pin da bandeira estadunidense até canecas. Um dos exemplos é esta camisa da imagem ao lado (clique sobre ela para ver o site).
Muita coisa boa eles fazem por lá, mas até agora eu não havia visto nada como este vídeo abaixo. É um videoclipe de rap pró-Obama e tem um visual fantástico. E mais, a letra é muito boa. Fiquei até com vontade de baixar para o iPod. Confira.
Fontes: IG Eleições 2008, Bahia Já, Política Livre e outros por aí.
| Print article | This entry was posted by Leonardo Araujo on 30 de Outubro de 2008 at 13:09, and is filed under Brasil, Lugares, Marketing, Política, Propaganda. Follow any responses to this post through RSS 2.0. You can skip to the end and leave a response. Pinging is currently not allowed. |





























about 1 year ago
Ótima análise, Leo.
Não tive muita paciência para acompanhar as eleições de Salvador neste ano. Nenhum dos candidatos me motivou a ter um maior envolvimento. Além disso, como voto no interior, a campanha tinha de ser muito boa pra chamar a minha atenção… tipo a do Obama nos states que tá muito foda!
about 1 year ago
As campanhas de Salvador sem dúvida deram uma aula de Marketing Político. Temos tradição no assunto, vide o que Duda Mendonça fez com Mário Kertez num passado distante e com Lula num passado recente.
Em relação a esta eleição, não gostei de nenhum dos candidatos, meus votos sempre foram nos menos piores… Do tipo não tem tu, vai tu mesmo.
Vi as propagandas em quase todas as mídias (exceto os comícios que não os assisti) e posso fazer um comparativo razoável.
A campanha de João realmente foi muito bem elaborada, resgatando toda a emoção do eleitor, revertendo qualquer problema. Ele foi quase a ovelha desgarrada e o resultado está ai.
Pinheiro fez um trabalho de formiguinha, indo inicialmente junto às massas e depois a elite. Para ilustrar, relato que ele ia fazer campanha no Pólo, visitava sindicatos e só no final é que fez comício na Barra. Correu por fora e subiu também porque o outro o fôlego e Hilton não representava tanto perigo assim.
Ele foi muito bem assessorado e tinha um bom discurso, mas faltou firmeza de muitos lados.
Imbassahy é o típico exemplo que “cavalos velhos não aprendem truques novos”, ele esteve assessorado por Duda através ainda que de forma indireta, mas deu o sim para vários erros desde jingle, até em ceder aos apelos do Mário – que tem um veículo de comunicação na mão. Não podia ter sido pior.
ACM Neto estaveve bem assessorado e tem boa retórica, entretanto teve duras pauladas desde a “ameaça de dar um murro em Lula” e o fato de ser considerado “menino demais pra ser prefeito”.
Hilton50 não tinha recursos, nem assessoria e nem coerência (a história do Fox pegou péssimo) e parecia que queria apenas fazer nome. E o fez, Ivete Sangalo cantou o jingle no Sauípe Folia.
No 2º turno, vimos Pinheiro dar mais ênfase ao debate, mostrando que tinha preparo, visto que era um nome novo, mas… Faltou apresentar propostas com a mesma firmeza, esteve tudo muito genérico neste aspecto.
Já João continuou no tom emotivo, melhorando o discurso a ponto de ter votos de quem nem pensava em votar nele.
O caso dos EUA, deixa explícito que os candidatos são razoáveis mas muito bem assessorados.
Fazendo com que as disputa seja acirrada e que eles tenham a adesão declarada de formadores de opínião como veículos de comunicação e artistas.
Resta saber se o discurso será sustentável. Eu não aposto em nenhum dos dois.
about 1 year ago
Léo, eu só posso acreditar que um cara como João foi eleito pura e simplesmente pelo marketing de campanha. O cara é ruim, muito ruim.
Do lado político, você faltou falar de duas coisas: a aliança com o antigo PDT, colocando um jurista como vice, e a atuação decisiva de Geddel na articulação.
about 1 year ago
Léo,
Concordo com a sua visão sobre as campanhas das eleições em Salvador. Estava curiosa para saber quem foi o publicitário de João, porque, de fato, ele manda muito bem. Já a de Pinheiro, achei o discurso fraco, a atuação dele cênica e imagens populares que não casavam com a dele…
Sem dúvida, os profissionais de comunicação são os grandes vencedores desta campanha. Se não fosse Maurício e sua equipe, hoje teríamos outro prefeito. Beeeeijosss!!!
about 1 year ago
É isso aí, Léo.
Mas o bom mesmo foi o marqueteiro de uma tal vereadora aí… ganhou fácil até demais.
eheh
Abração, nego véi!
about 1 year ago
Leo,
Muito bacana essa sua análise, principalmente por nos mostrar quem são os responsáveis diretos pelas campanhas políticas. Gostei mesmo desse post!!
Abração