Um stop motion animal

Sério. No YouTube tem muita porcaria e muita coisa legal, mas este video é animal. Até rimou, o que é bizarro porque não foi essa a intenção.

Bem, o cara fez um video em stop motion, técnica que consiste em produzir videos com imagens estáticas uma na sequencia da outra. O diferencial foi que ele fez isso com fotos. Centenas delas. E de frente, de lado, de cima, de trás. Ficou muito bom. Veja.

O Primeiro Encontro – Conto

Ela veio. Não consegui reagir de imediato. Devo ter ficado uns dois minutos contemplando sua beleza através do olho mágico da porta. Ela tocava a campainha com aquele que eu defini de imediato como sendo o mais lindo dedo indicador com unha pintada de rosa que eu jamais vi na vida, e eu, de tão absorto em sua imagem, não ouvia. Só um sentido funcionava, somente a visão. E estava ótimo, não precisaria de mais sentido algum, se fosse para contemplá-la por toda a vida.

Toc! Toc! Ela resolveu bater na porta. E com isso, como o despertar de um sonho intenso eu volto à consciência e percebo, quase instantaneamente, o óbvio. Tenho que abrir a porta. A última fronteira, o último obstáculo que me separa de teu cheiro, tão sonhado e imaginado cheiro. Alguns pensamentos voam pela minha mente durante os rápidos segundos em que giro a maçaneta e abro a porta. Dou um conselho a mim mesmo: calma garoto, calma.

Eis que um sorriso estonteante se abre e eu, já recuperado do choque, retribuo e desculpo-me pela demora. Digo a verdade. Conto que sua imagem havia me paralisado atrás do olho mágico e ela abre um outro lindo sorriso, desta vez acompanhado da mais afinada das gargalhadas de todo o mundo.
Ela diz: – Acho que pessoalmente você pode ver melhor, não?
Nada posso fazer a não ser rir, concordar veementemente e convidá-la a entrar.

Meu apartamento não é um luxo, mas vive em harmonia comigo, ou seja, tem tudo o que eu sempre quis e é decorado detalhadamente. São apenas dois quartos, sendo um suíte, um pequeno corredor, banheiro social, ampla sala de estar – eram duas, uma de estar e outra de jantar, mas meses atrás demoli a parede e ampliei meu espaço -, cozinha americana e uma varanda aconchegante com uma bela vista. Percebo que ela surpreende-se com a organização, limpeza e aspecto leve da sala. Ela me diz que achou tudo muito bonito e que não esperava isso de um homem solteiro. Convido-a a sentar. Como já sabia que ela aprecia um bom vinho chileno, dias atrás já havia comprado duas garrafas de um tinto meio-sêco, uma destas descansava sossegadamente em um balde com gelo estrategicamente colocado a sua frente, as respectivas taças ao lado. Costumo ser bastante prático e racional, mas algo insistia em me dizer que por uma noite, esta noite, a emoção me dominaria por inteiro.

Ainda sem trocar palavras, sento-me ao seu lado, retiro o vinho do balde, abro e sirvo as duas taças. Ofereço um brinde. Erguemos as taças e concluo: – Ao primeiro encontro. Por um breve instante acreditei haver visto uma faísca passar pelos teus belos olhos castanho-esmeralda. Penso: “Deus, como é linda.”. Pele morena clara, cabelos ruivos e levemente encaracolados deitados sobre todo o corpo até a altura da cintura, dona de maravilhosos um metro e sessenta e cinco centímetros, boca carnuda, olhos vibrantes, rosto expressivo e seios deliciosamente perfeitos. Ela deixa um aroma quente, caliente, fogoso e cheio de tesão no ar. Sinto-me embriagado e sei que a culpa não é daquele ínfimo primeiro gole de vinho, a culpa é dela. Uma culpa gostosa, que percebo deixá-la radiante.

Conversamos um pouco sobre trivialidades. Ela me diz que adorou a decoração da sala e eu a convido para conhecer os demais cômodos. Voltamos e decido colocar uma boa música. Pergunto o que ela quer ouvir, e ouço a tranqüila resposta: – Quero ouvir a sua música romântica predileta. Pego de surpresa, concordo e coloco o CD na faixa pedida. A música é Your Love Is King de Sade. Pronto. Devolvida a surpresa, ela põe-se de pé, enche nossas taças e caminha em minha direção. Apenas quatro passos, mas eu juro que vi um desfile inteiro e particular em minha sala de estar. Uma deusa de saia curta, com belas coxas à mostra, salto alto, decote generoso e olhar fulminante. Ela diz: – Você me encantou e só estou aqui a trinta minutos. Dou-lhe um beijo. Um beijo quente, úmido, safado e delicado. Um beijo como a ocasião, o vinho, a música e a mulher pediam. E este fora apenas o primeiro, duma noite cheia destes.
Decidimos esquecer o jantar por ora e nos entregar ao vinho e à nossas bocas. Trocamos o CD pelo DVD, sala por quarto, sofá por cama. Só não trocamos o vinho, nosso cúmplice etílico e envelhecido do momento sublime do beijo e do amor.

Como dois adolescentes carentes e insaciáveis, entregamo-nos sem pudores um ao outro. Os beijos agora não contentavam-se apenas com a boca do outro, os beijos eram vorazes e queriam mais. E assim demos mais. Uns beijos queriam orelhas e pescoços. Outros seios e barrigas. Os mais abusados queriam o sexo. E os beijos beijavam sem parar. Beijos maduros e firmes. Logo haviam roupas espalhadas por cada um dos quatro cantos do quarto e o DVD, este nós nem víamos ou ouvíamos mais. E as bocas, ainda não saciadas, deleitavam-se com os corpos e o vinho. Sim, o vinho, outrora cúmplice agora era um de nós e pintava nossas peles com sua escura rubra cor até encontrar alguma boca sedenta de sede e tesão.

Era sublime o sexo. Quente e descontrolado, mas ainda assim, maduro e consciente. Mesmo com o vinho entre nós, ainda consciente. O tempo, nosso inimigo, parecia dormir e os minutos eram horas e as horas, dias. Eu agarrava seus cabelos e recebia sorrisos e gemidos de presente. Mordia seios e ganhava arranhões de unhas rosas. Ela me engolia e eu lhe doava gritos de prazer. Não havia sexo melhor, este era o melhor. O suor que nos banhava era como combustível e nos mantia acesos e ainda insaciáveis. Mais sexo. Mais beijos. Mais vinho. Mais gemidos, sussuros, mais tesão. Quando a sanidade nos foi devolvida, quando os corpos estavam saciados e quando as bocas relaxaram, dormimos nus, agarrados e felizes.

E, somente horas depois da melhor noite de sexo de nossas vidas, voltamos ao mundo e despertamos de nosso sono sem sonhos. Ainda estávamos exaustos. Mais um beijo. Fomos nos banhar juntos e lavamos um ao outro como um pai ao filho, mas com o desejo explosivo de amantes secretos. Logo não era mais um simples banho, mas novamente sexo. Muito, muito quente. Tão quente que, nem mesmo a fria água a cair em nossos corpos, esfriava o tesão que queimava em nós. Ela enlaçou meu corpo com seu escultural par de pernas e, após fundir-se em mim, pôs-se a beijar-me loucamente. Nos amamos entre sussurros, gemidos e gritos, desconfortável, mas deliciosamente em meu box até o gozo de ambos. Nos rendemos ao mais prazeroso cansaço e terminamos o banho. O box com os vidros suados de nosso calor, exibia relatos escritos por nossas mãos que escorregaram sobre ele enquanto nos amávamos.

Fomos almoçar o jantar e bebericar nossa segunda garrafa de vinho meio-sêco chileno, que agora bebíamos em taças convencionais, afinal, já não éramos mais conquistadores. Já éramos conquistados. Pelo sexo primeiro, para depois quem sabe, pelo amor.

Leonardo Araújo, 23 de fevereiro de 2006.

Tenho alguns contos e poemas e percebi que eles ainda não estão aqui neste blog, só nos antigos que eu tenho arquivado. Relendo isso eu percebi também que preciso voltar a escrever. Espero que gostem.

Desastres no Photoshop

Quem nunca viu uma foto por aí com alguma mega mancada de Photoshop que atire uma pedra em seu monitor. Eu já vi dezenas. E vi mais ainda quando encontrei o blog Photoshop Disasters, que tem uma verdadeira coletânea bizarra de erros grotescos. Vou colocar aqui 4 das imagens que encontrei lá no blog e quero saber se está claro para você os erros. Os erros dos três primeiros estão bem na cara, mas o erro do quarto pode te fazer demorar a encontrá-lo.



O desastre da imagem abaixo pode te cegar por um tempinho. Descubra!

E aí, viu todos os erros? E o erro da quarta imagem? Se você viu, não é fantástico?! O cara que fez isso é mesmo um bom sacana, por que essa daí com certeza foi de sacanagem. Se não viu o desastre da última imagem, clique sobre ela para ver no post original.

Visitem o blog Photoshop Disasters (em inglês) para ver outras pérolas.

Alonso vence e a culpa é do pirulito

Mas que vacilo da Ferrari. Eu não havia reparado que a equipe havia substituido definitivamente o pirulito pelo semáforo para o momento dos boxes. Já até o havia visto, mas achava que ainda estava em fase de testes. E não é que o mecânico fez merda e Felipe perdeu a corrida por causa disso? Eu não imaginava que isso fosse acontecer, sinceramente. Pra mim a vitória estava garantida, até por quê num momento como este do campeonado, não dá mais para errar. Foi uma pena.

E agora Massa não depende mais só dele para ser campeão. Agora se o Lewis chegar em 2º nas próximas corridas, ele leva o título com 1 ponto de vantagem mesmo que Felipe ganhe todas. Quem se deu bem na história foi Alonso, que levou seu 20º caneco de vencedor (50º caneco em podiuns). Ainda bem que foi ele quem venceu, apesar do seu jeito arrogante e bruto, eu gosto do estilo de pilotagem do espanhol, ele é muito talentoso. A McLaren é outra que agradece muito à Ferrari por seu erro. A equipe inglesa saiu de Cingapura líder do mundial de construtores e só depende dela para manter o título.

Agora é esperar pelos GPs do Japão, China e Brasil para ver o que acontece. E vamos secar o Hamilton, quem sabe o carro dele não fura um pneu, estoura um motor ou ele atola numa caixa de brita, nada com ele, claro, só mesmo com o carro. ;)

Fórmula 1 [atualizado]

Confesso que tenho sangue de barata para gente polêmica, que se considera superior a tudo e todos e que justamente por isso não respeita os demais, nem mesmo os seus adversários. Claro que eu estou falando do piloto inglês Lewis Hamilton, da MacLaren.

Na temporada passada, em sua estréia na F1, eu torci contra ele não para que Felipe Massa fosse campeão, mas por que eu achava que um estreante, mesmo sendo muito talentoso como ele é, poderia tornar-se deveras arrogante ao vencer na estréia. Não adiantou. Ele perdeu o título para Kimi Raikkonen por um ponto e muitas barbeiragens causadas por sua ansiedade e, ainda assim, tornou-se o odiado mais jovem da história da F1. Todos o criticam, todos declararam que ele corre insanamente, sem respeito aos demais, sem ao menos respeitar as regras, mas ele continua em seu mundinho maravilhoso do qual acredita ser rei supremo. Uma pena, por que talento de sobra ele tem. É igual às eleições, na última eu torci para que houvesse 2º turno, por quê se o Lula ganhasse no 1º, ele iria se achar o último acarajé do tacho. O mesmo aconteceu nas eleições para governador. Apesar de ter torcido para Wagner, preferiria que tivesse havido 2º turno. Ganhar de cara dá uma moral irreal. Pior ainda é nem ganhar e alimentar esta moral.

Há quem diga que Hamilton é o Alain Prost dos tempos atuais, eu não sei. Não me lembro bem das confusões causadas pelo francês. Esta semana o ex-piloto de F1 e campeão mundial Jacques Villeneuve declarou “Lewis Hamilton é um piloto sujo e perigoso” (aqui). Eu concordo. Mas também tenho que admitir que ele é inteligente, ou pelo menos o tenta ser. Ele vem repetindo dia após dia que Raikkonen ainda está na luta pelo título (aqui), que ainda é adversário dele e tal. Claro que o Kimi tem condições de ser campeão, até o Kovalainen que está em 6º com 51 pontos tem! O que ele quer com isso é confundir a cabeça do finlandês para que ele não ajude Massa nas últimas provas do campeonato. Uma estratégia até inteligente, vá lá, mas a Ferrari, Lewis, nasceu bem antes de você. E Schumacher está lá, esqueceu? Ou acha que é melhor que ele também? Eu acho que ele pensa ser melhor que qualquer um que já tenha existido.

O fato é que por tudo o que eu disse até agora, torço muito pelo Felipe. Primeiro por ser brasileiro e nós merecemos um novo campeão mundial, segundo por ser centrado, firme, humilde para assumir seus erros e por respeitar seus adversários. Quem sabe o final deste campeonado acabe sendo decidido no Brasil e Massa o leve com uma vitória? Seria ótimo rever a cena da sua vitória de 2006 (foto abaixo), assim como seria ótimo ver a cara do boçal Lewis Hamilton após uma segunda perda de campeonato.

Update: Depois da Pole do Felipe no GP de Cingapura humilhando Lewis com 6 décimos de sobra, só me resta colocar um vídeo emocionante aqui. A vitória no GP Brasil.