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Também na Casa do Galo
A partir de hoje, e quinzenalmente às quartas-feiras, meus artigos podem ser lidos também na Casa do Galo, um dos grandes blogs/sites sobre propaganda e marketing da web nacional.
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Junho 25, 2008 1 Comment
A Era da Prostituição Profissional
Ou O Futuro do País, dá no mesmo.
Enquanto eu ainda estava na faculdade, alguns professores e colegas que já atuavam no mercado, costumavam sempre dizer que nosso mercado publicitário é prostituído. No começo eu achava aquilo pejorativo demais, mas logo a ficha caiu e pude ver que eles, de fato, falavam a verdade. Não tenho conhecimento de causa para falar de outros mercados, mas do pouco que sei do nosso mercado, o baiano, posso dizer que esta prostituição profissional é como vários cânceres, que se alojaram em todas as partes e passaram a infectar todas as outras demais. Claro que sempre haverá empresas idôneas e profissionais “de responsa” que não se permitirão entrar nessa onda, mas o que dizer das centenas de “profissionais” que as faculdades vomitam no mercado todos os anos? Como se comportarão estes novos publicitários e mercadólogos? Irão eles parar na esquina do nosso mercado? O pior é que eu vejo que sim. Muitos destes, quando ainda querem continuar na profissão, estão indo para o caminho da informalidade e passam a oferecer seus serviços a preços de banana (nada contra o quitandeiro).
Quando eu apresentei meu projeto de conclusão de curso, em novembro de 2005, estava decidido a estudar mais, aprender mais e a tocar minha vida dos mercados corporativos de comunicação. Era a minha opção. É ainda a minha busca, por isso encarei logo na seqüência o MBA em Marketing. O triste é que muitos daqueles que se formaram comigo hoje estão sem emprego, com subempregos (entenda aqui empregos de nível médio e sem perspectiva de crescimento), ou decidiram arriscar e abrir sua própria agência de comunicação. Alguns se deram bem, muitos patinam, outros tantos se deram mal. Claro que a qualidade destes profissionais influencia em todos os aspectos e, muitos deles (a maioria), eu, por conhecê-los, não chamaria para trabalhar comigo. É como em qualquer profissão, muitos só querem o diploma e acham que assim um excelente emprego cairá em seus colos. Ledo engano.
O que fazem hoje todos estes profissionais formados? Muitos se tornaram, usando um termo muito vulgar, mas válido, prostitutas comunicólogas. E prostitutas baratas. Não estou aqui os comparando com garotos e garotas de programa, que muitas vezes são formados, trabalham, ganham bem e estão nesta vida por opção. Estes de que falo o fazem por falta de opção mesmo. Uma marca por R$ 50,00. Com todos os direitos liberados, diga-se. A criação de um outdoor e o plano de mídia por R$ 80,00. Quem dá mais? Quem dá mais? Pior que ser um mercado prostituído é ser um mercado prostituído que se vende por papel de bala e troco de pipoca.
Sinto que estamos caminhando para o colapso profissional total em quase todas as áreas do conhecimento. A faculdade no qual me formei, atendia, na época, cerca de seis mil alunos, hoje, menos de dois anos depois, são mais de onze mil. Imagina amanhã?
É loucura pensar que teremos mercado para absorver todo este contingente de profissionais, mesmo para vagas de estágio. Com a probabilidade de o país crescer cerca de 5% ao final deste ano, fica a expectativa para os meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Mesmo assim, acho que nem com o país crescendo às taxas da China esse povo todo teria espaço. Quando começar a caça por talentos e as vagas das empresas estiverem abertas, mais uma vez veremos uma enxurrada de currículos voarem por todos os lados e a maioria deles ir parar no cesto do lixo.
A renda da classe média fica cada vez menos média e mais mínima. Hoje um casal com nível superior e pós-graduação dificilmente consegue uma renda familiar superior a três mil reais. Como pagar apartamento, supermercado, energia, telefone, água e ainda ter um pouco de lazer? Como comprar uma boa roupa?
Não posso aqui afirmar que as coisas estariam diferentes se outro estivesse no poder no lugar do Lula. O fato é que eu, cá eu, estou muito insatisfeito com tudo o que tenho visto. Votei nele, não por achá-lo com, mas por não ir com a cara do Alkmin. Sabe a história Ali Baba e os Quarenta Ladrões? É a mesma história, só que tupiniquim. O titulo seria mais ou menos Lula Não Sabia e tinha Quarenta Mensalões. E ainda me vem o tal do Dirceu, dizer na entrevista deste mês para a Playboy, que não existiu mensalão. Só faltou ele afirmar que o que existe mesmo é Papai Noel e o Coelhinho da Páscoa.
Voltando. Subsídios, quando há, são para os mangangões. Nada que ajude a indústria a contratar, os juros são o olho da cara, impostos então, nem se fala. Ah, mas arrecadaram só 900 BILHÕES DE REAIS. E isso dá pra quê? Uns 40% para pagar salários deles e dos aposentados (uns 30% só pra eles, se vacilar). E o resto para os bolsos deles e o resto do resto para saúde, infra-estrutura, educação, segurança, etc.
Vejo alguns criando movimentos cansei disso, cansei daquilo, fora Maria, fora João. E no entanto não vejo solução. Coitado foi o Collor, pois daquela vez eles (os próprios de hoje, salvo os já enterrados) conseguiram mobilizar a massa pública. E dessa vez, quem irá mobilizar a massa pública quando o que eles mesmos querem é que todos nós fiquemos calados e de bunda aberta para o ar? Acho difícil que, sem a presença de uma liderança que se faça ouvir no povo (não contemos com o Lula para isso, ele não vai contra os seus), algum movimento possa ganhar corpo forte o suficiente para fazer algo de concreto pelo país.
Saco! Queremos mudança, queremos emprego! Como então poderão viver estes profissionais se não se prostituírem? Eu não vejo luz no fim do túnel. Eu não vejo nada no fim do túnel, nem mesmo o túnel. E o pior, acho que ele caminha para não ter fim. Cá vou eu, continuar a estudar para lutar para não precisar cair no ramo. E você, caro(a) leitor(a), faça o mesmo. Não acho que algum destes bezerros tenha o mínimo interesse em fazer algo por você, por mim, por nós. Só o que olham são seus próprios bolsos. É torcer pelo país para que ele não entre em guerra civil daqui a algum tempo. E olha que eu costumo ser otimista quanto ao futuro do nosso país. Mas pelo que tenho visto, ou melhor, pelo que não tenho visto, vai continuar a ser foda.
Este é só mais um artigo-desabafo, dentre os milhares que temos visto, todos os dias, em todos os cantos do país.
Agosto 27, 2007 3 Comments
Um brinde
De quando em quando a mente fervilha em busca de reconhecimento e satisfação. Tem sido vã a tentativa deste chip neural em produzir motivação e ânimo novos, portanto, cada centelha de nova possibilidade alimenta a caldeira, que mesmo fraca e morna, insiste em continuar a produzir brasa.
E assim os dias vão se sucedendo como as faixas brancas de uma avenida, sempre iguais e infinitas. Acho mesmo que ainda tenho forças por que o amor permite o equilíbrio e a calmaria necessárias após as tormentas mentais produzidas pelo tédio e pela descrença nas pessoas e organizações.
Como uma mosca tonta e cega, tateio inutilmente oportunidades possíveis, mas previamente fechadas para mim. E aí sim, as caldeiras se inflamam de indignação e o desejo de mudança torna-se mais vívido do que nunca. Como lê-se sempre em contos juvenis, uma nova era se aproxima e, com ela, caminhos mais intensos e ricos ou dificéis e vazios surgirão. Mas como ver o momento e onde pisar ou por onde voar se cegam meus olhos e podam as asas? Mais uma pedra, pedregulho ou montanha no caminho e lá vou eu a escalar e cair e ralar a pele e enxugar o suor e levantar novamente e seguir em frente. Não conseguirão manter-me ao chão, caído.
Sabe a história do milho? Ele necessita ser provado e lançado ao fogo para demonstrar todo seu potencial, que é ser pipoca. Nesta nova era muita coisa ainda é velha, mas aos poucos os espaços vão surgindo e o novo ganha dimensões antes inimagináveis. O cordão umbilical está teso e prestes a se romper. Faço força, mas percebo que ainda falta algum tempo para maturar as idéias, eliminar os obstáculos e alçar um novo vôo.
Ah, falta pouco. E eu quero tanto assustar a todos. Aos amigos, um brinde. À vida, um brinde. Ao amor, à luz de velas, um brinde. Ao futuro, um brinde. Ao seu sucesso, um brinde. E ao meu, antes que chegue ao fim o vinho, um brinde. E claro, beba com moderação.
Julho 20, 2007 No Comments




