Aonde vamos parar?

Salvador está ficando cada dia mais violenta. E o pior, eu não estou vendo isso e por isso vinha achando o contrário. Não sei se é porque eu deixei, há muito tempo, de assistir aos jornais locais sensacionalistas que eu tenho a falsa impressão de que vivo numa cidade relativamente segura ou se é porque dou a sorte de estar sempre longe dos acontecimentos do gênero. O fato é que o bicho está pegando. 

Praticamente todas as segundas-feiras os principais jornais da capital (A Tarde, Correio* e Tribuna da Bahia) exibem matérias que contam como bananas numa penca, os corpos dos mortos no final de semana. Não bastassem as mortes, os casos de tráfico de drogas também estão se alastrando. Dizem por aí que se pegarmos o jornal e espremê-lo, cairá sangue. Dizem também que se passarmos a mão sobre a tela da tv durante um dos telejornais sensacionalistas (temos muitos!) ela ficará melada de sangue. É uma lástima, mas nossa cidade está tomando porrada do crime.

Óbvio que toda cidade tem criminalidade, não estamos nos céus e, como o inferno é aqui, não teremos tão cedo índices próximos a zero de assassinatos, roubos, abusos e tráfico. Hoje foi a vez de uma amiga sofrer com o crime e o descaso com que a população vem sendo tratada.

Minha amiga estava correndo pela manhã na orla no trecho entre o Jardim dos Namorados e o parque onde antes ficava o Clube Português e ia ouvindo música em seu iPod quando, da forma mais abrupta possível, um marginal arrancou o aparelho do seu braço de uma só vez. O marginal saiu caminhando tranquilamente, como se nada tivesse feito e sob olhares incrédulos de outras pessoas. Não havia um policial sequer por perto. Ela disse que passou 30 minutos procurando a polícia e não encontrou nenhum. Um verdadeiro absurdo!

Temos visto a orla de Salvador ser revitalizada em alguns pontos, como em Amaralina e neste ponto onde antes havia o Clube Português e, ao invés de ser utilizado por nós, cidadãos que pagamos altos impostos, são os ladrões, viciados e prostitutas que utilizam os espaços. Cadê a segurança que é obrigação do Estado? Cadê a exaltada Guarda Municipal? Pelo visto isso só é disponibilizado em alguns pontos da cidade.

Todos os dias eu vejo dezenas de viaturas da Guarda Municipal aqui na região do Centro Histórico. Vejo policiais em cada esquina e, em um ano trabalhando no Pelourinho, não presenciei um só roubo. É uma pena que isto não esteja se repetindo em toda a cidade. A coisa está ficando feia mesmo. Conheço dois relatos de pessoas sequestradas no estacionamento do subsolo do Supermercado Extra, da Avenida Paralela e cerca de 15 dias atrás duas colegas de trabalho tiveram os seus carros roubados. E olha que muitos destes acontecimentos não chegam a ser oficializados e, por isso, não entram nas estatísticas “oficiais”.

Eu sinto muito ver a cidade que amo nesta situação. O verão está chegando e Salvador é destino certo de dezenas de milhares de turistas brasileiros e estrangeiros e espero que os governos municipal e estadual faça a sua parte e ofereçam para nós e para nossos visitantes a segurança necessária para uma vida e um passeio dignos da capital que Salvador é. Espero poder voltar a falar de coisas boas no próximo post.

O país do futuro e o futuro do país

Todos nós já ouvimos a célebre frase-mito-dito-popular de que o Brasil é o país do futuro. Por eras nosso povo transmitiu esta frase de geração para geração e este futuro de ditas belezas e desenvolvimento nunca que chegava. Eu mesmo, que até então vivi apenas 28 anos, não tenho como mensurar a quantidade de vezes em que ouvi isso e que pensei, do alto da minha montanha de otimismo: “ainda verei este bendito e predito futuro”.

O fato é que os anos passam e a gente vai ficando mais duro. Duro no sentido de que passamos a ter que arcar com contas que antes eram pagas pelos pais (como eles pagavam tanta coisa?!) e no sentido de que deixamos aos poucos de acreditar em fábulas (e eu nem estou falando do Saci ou do Papai Noel). Mas mesmo assim cá estou eu, mais uma vez em minha vida, declarando acreditar que estamos perto (uns 20 ou 30 anos) de ver enfim o Brasil se tornar O País do Futuro.

A Crise financeira (em maiúscula mesmo) que se alastra mundo afora, ainda que sendo uma pedra no sapato do país, será a médio prazo mais benéfica para nós do que para os outros do BRIC (Russía, Índia e China) e para os colossos EUA e UE. Não sou especialista em economia, apesar de gostar muito do assunto, mas acho que dá para fazer algumas ponderações e até mesmo acertar algumas.

Hoje temos o sistema financeiro e bancário mais eficiente e um dos mais sólidos do mundo. Claro que o Dólar deu uma disparada, mas era esperado porque o Real havia se valorizado frente a moeda estadunidense mais do que qualquer outra no mundo e, mais cedo ou mais tarde, um ajuste iria acontecer. E o Dólar disparou justamente porque eles, os investidores externos, estão tirando suas verdinhas daqui. É a velha lei de mercado, quanto maior a oferta e menor a demanda, menor o preço, quanto maior a demanda e menor a oferta (o que está acontecendo com o Dólar agora) maior o preço. É por isso que o Banco Central (BC) faz leilões de dólares. Para que a moeda continue “circulando” no mercado financeiro e que, com isso, não falte este produto no mercado, o que elevaria mais ainda o seu valor. Não é difícil entender o sistema financeiro se tivermos uma boa dose de paciência para ler um ou outro artigo por aí e se acompanharmos, mesmo de longe, os acontecimentos do mercado. E olha que eu sou um leigo, sou publicitário oras!

Eu digo que o sonho do nosso Brasil ser o país do futuro vai se realizar por uma série de fatores que podemos observar nos últimos anos e, por incrível que pareça, por causa da Crise atual. Nos últimos anos o Governo conseguiu (e isso não é mérito só de Lula, mas principalmente de FHC e das equipes do alto escalão) realizar uma série de reformas, mesmo que incompletas, que deram um novo rumo ao país. Hoje temos a Previdência Social totalmente informatizada e com seus computadores ligados a outros sistemas públicos importantes como a Receita Federal, o que dificulta fraudes e aumenta a arrecadação. Temos uma fiscalização efetiva e que pude com vigor empresas que burlam as regras para não pagar os impostos, altíssimos, mas importantes para o funcionamento da máquina. E temos visto os mais pobres começar a consumir produtos que não são somente os de primeira necessidade, o que indica progressão na pirâmide das classes. Tem o tal do PAC, que está levando obras (mesmo que infelizmente algumas sejam megafaturadas) para vários cantos do país. Tivemos uma explosão de crédito imobiliário que está transformando cidades inteiras (Salvador será outra daqui a 5 anos!) e movimentando a economia como não acontecia destes os anos 70. E olha que o crescimento dos anos 70 foi insustentado e aumentou o endividamento internacional do país. Exportamos mais do que importamos e isso se repete já há uns dois ou três anos quase ininterruptamente mês após mês. A balança comercial está positiva e o fluxo de caixa hoje já é de mais de US$ 200 bilhões de dólares, o que dá para pagar os juros da dívida e ir quitando-a aos poucos. Aí, depois de tudo isso, o Brasil cresceu ano passado uns 5,3%, recebeu o cartão verde para investimentos internacionais, viu jorrar dinheiro para cá e então a Crise chegou. Não está sendo fácil hoje para muitas empresas, mas a perspectiva é boa para o médio prazo. Repito, eu sou leigo e posso estar errado, mas acho que a Crise pode ser mais benéfica do que maléfica pelo menos para nós.

A GM nos EUA está cambaleando, o Citigroup precisou de grana do governo de lá, eles e vários países da UE injetaram bilhões em empresas, maculando e muito o livre mercado (foi necessário, mas não é bom) e por aqui o que houve? Os bancos reduziram o crédito, empresas perderam valor de mercado na Bolsa e as ações da minha namorada despencaram. Só para citar algumas coisas ruins. Mas o fato é que as vendas do comércio neste fim de ano devem ser maiores que a média dos últimos anos, mesmo com uma arrefecida no consumo, que estava frenético. O fato é que o Brasil produz muita matéria-prima e alimentos, ninguém produz tanto disso quanto nós. Matéria-prima até dá para parar de consumir, mas comida, isso não. Penso que continuaremos com nossas safras boas (mesmo que com crescimento menor) e com nossas exportações em alta. Eu vejo para os próximos anos um mundo que precisará se curar das feridas da Crise, do desemprego causado por ela, das maculações do mercado por causa da intervenção imensa do Governo e, por conta disso tudo, com um ritmo de crescimento menos. Ritmo este que será puxado ainda por China, Índia, Brasil, Rússia, África do Sul e outros rebentos dos dias atuais. A China vai crescer menos do que as taxas escrotas de 11 ou 12% de hoje, que devem ser de 7 ou 8%. Os demais também terão redução no crescimento, incluindo nós. Mas então como é que eu digo e repito que vamos nos dar bem? O fato é que o mundo vai crescer menos, mas ainda vai crescer um pouco. E que o Brasil, pelos próximos anos, deverá crescer acima da média mundial. Isso dará um fôlego danado ao país para, quando o mundo se recuperar totalmente daqui a uns 10 anos, o Brasil dar a sua guinada e abocanhar a sua fatia da pizza chamada futuro.

Até lá teremos quase toda a população online (mesmo que em Lan Houses) e com um pouco mais de anos de “estudo” no currículo. Agora eu entro na segunda parte deste imenso artigo, O Futuro do País.

Eu vejo que o problema não é o Brasil se tornar o país do futuro e sim quem seremos nós para o futuro do país.

Quando eu estava na quarta série primária, minha mãe brigou com a dona da escola onde eu estudava e, ao final daquele ano, fui transferido para outra. Ainda era uma escola particular, mas estes seriam os meus últimos meses. O fato é que eu, com 9 anos na quinta série (eu sei, eu era foda!), não me adaptei a nova escola e ia mal nos estudos. Fui tão mal que minha mãe me tirou no meio do ano e, para não ficar de bobeira, eu fui trabalhar no comércio da família. No começo não era nada tão fixo, ficava na padaria, atendia uns clientes e fui aprendendo o que era dinheiro. No ano seguinte fui para o colégio público. Acordava, ia para a escola e trabalhava a tarde e a noite, até umas 20h. Quando terminei o ginásio, já com 14 anos, eu sabia tocar um mercadinho praticamente sozinho. Abria o comércio, fazia pedidos para fornecedores, pagamentos, cuidava do fluxo de caixa e entregava o salário de funcionários. Nessa época eu ganhava meio salário mínimo. Eu era adolescente e tinha grana como nenhum dos meus amigos da vizinhança pobre tinha. Tinha videogame 16bits! Veja, sem saber, eu estava sendo formado ali, no dia a dia do trabalho. Fui para o segundo grau num colégio do centro, me deslumbrei e depois de muitas namoradinhas, cervejinhas e escapadas de aulas, perdi o primeiro ano técnico em arquitetura. O ano seguinte eu abandonei no meio para trabalhar e focar para o próximo ano. Depois eu cursei todo o segundo grau num outro colégio público e foi moleza. Das três turmas formadas, só tenho conhecimento de que eu tenha prestado vestibular, feito faculdade, pós e até um pouco de inglês. Os demais colegas ficaram no segundo grau capenga mesmo. Alguns são vizinhos que eu encontro volta e meia na rua e quase todos estão trabalhando em empregos que nunca lhes oferecerão um futuro que possa levá-los à ascensão social.

Contei isso tudo para mostrar o tamanho do déficit educacional que temos e o desafio que teremos para os próximos anos. Eu consegui chegar aonde estou por que tive a sorte de nascer numa família de comerciantes, que me deram pelo menos o ensino básico particular e que me deram com muito trabalho uma grande noção de valor para o dinheiro. Mas aí eu pergunto: e os demais? E aqueles que se formaram comigo no segundo grau regado a boas festas e gincanas divertidas? E os que se formam hoje, em colégios que não reprovam de jeito algum? Meu único receio em relação ao nosso futuro como nação vem daí, vem do precário ensino público que temos para a maioria da nossa população. Espero que o Governo faça algo a tempo para corrigir isso, pois eu quero viver para ver o Brasil se tornar o país do futuro e para ver nossos jovens cheios de conhecimento e orgulho nos olhos se tornarem o futuro do país.

Marketing Político aqui e lá

Campanhas políticas movimentam toneladas de grana e são capazes de transformar candidatos medianos em políticos superstars. Isso é igual aqui e nos EUA. E deve se repetir mundo afora, mas não tenho como afirmar. O Brasil tem muitos excelentes mercadólogos políticos (não gosto do termo marketeiro) e alguns dos bons – me arrisco a dizer – são baianos.

A campanha de Lula à presidência em 2003, o trabalho de Duda Mendonça foi fundamental para que o resultado fosse tão expressivo. Claro que Lula já era candidato há várias eleições (todas desde a redemocratização) e que seu nome já estava na boca do povo. Eu me lembro com muita satisfação de alguns videos e jingles daquela campanha. Eram realmente sensacionais, de arrepiar mesmo. A letra era muito boa (Bote essa estrela no peito / Não tenha medo ou pudor…) e a música entoava emoção. E isso tudo ajuda muito a fazer com que eleitores indecisos escolham este ou aquele candidato. A campanha pode fazer toda a diferença.

Aqui em Salvador, nestas eleições, vimos campanhas excelentes, algumas com seus deslizes, mas o meu parabéns vai em especial ao publicitário Mauricio Carvalho, que liderou a campanha de João à reeleição.


Fotos da galeria do threecee no Flickr

Se dividirmos em turnos, digo que no primeiro turno a melhor campanha foi a de Pinheiro, que o alavancou do quarto ao segundo lugar e a pior foi a de Imbassahy, que tinha um jingle que não “colouahy” e que apelou para a agressividade muitas vezes. A de ACM Neto estava ótima, até tacharem ele de “menino”, isso foi um verdadeiro tiro de bazuca do Rambo no pé. Os adversários adoraram e fizeram a festa, também, quem aqui é menino pra querer um menino à frente da Prefeitura? Quanto a Hilton50 (o nome dele colou no número) ele não tinha grana e nem parecia querer fazer algo mais bonito. Mas eu acho que ele, com um bom trabalho de marketing, chegaria facilmente à Câmara Federal. Bobo ele não é.

Já no segundo turno, Pinheiro partiu para o ataque e a campanha mudou o tom em relação ao primeiro turno. Já não era mais a mesma, apesar de continuar boa e com um bom apelo emotivo. A de João também não foi a mesma, mas a mudança aqui foi espetacular. Foi, a meu ver, a melhor campanha para prefeito que Salvador já viu em todos os tempos. Os jingles (vários!), os vídeos, as chamadas, tudo impecável.

Para a campanha de ACM Neto, os responsáveis foram o gaúcho Adriano Gehres e o jornalista baiano Pascoal Gomes. Adriano é publicitário de longa data e só participou de duas campanhas antes desta, a do senador Delcídio Amaral em 2002 e a de Lula em 2006.

Antonio Imbassahy teve Alessandra Augusta à frente de sua campanha. Ela já trabalhou com João Santana, marketeiro de Lula e com Duda Mendonça. Ela é experiente e já trabalhou em 23 campanhas para governos estaduais, prefeitos de capitais, ao senado e na campanha de José Serra para presidente em 2002.

Foi Sidônio Palmeira, experiente marqueteiro baiano, e proprietário da agência Leiaute Propaganda, que trabalhou na campanha de Walter Pinheiro. Sidônio também foi marketeiro de Jaques Wagner ao governo no estado em 2006.

No entanto, mesmo com tantos e bons marketeiros, quem levou a melhor foi Maurício Carvalho, que teve que reverter a grande rejeição de João e acabou fazendo um trabalho de mestre na campanha. Falando com um amigo pelo msn esta semana ele me disse que Maurício é “um monstro”, no sentido de ser muito bom no que faz. Ele venceu e convenceu.

Agora uma campanha política que está dando mesmo o que falar é a de Barack Obama para Presidente dos Estados Unidos. Além de arrecadar mais de US$ 600 milhões (eles nem sabem mais o que fazer com tanta grana) o democrata conta como o apoio de muitos artistas e músicos, o que lhe ajuda muito, pois estes participam da campanha criando cartazes como este ao lado (clique para ver mais), banners, bottons e tudo o mais que se possa imaginar.

Mas John McCain também não fica atrás, apesar de não ter nem a metade da grana de Obama. E quem resolveu ganhar uma grana (talvez para ajudar na campanha), foi uma filha do candidato republicano. Ela criou um site/blog/loja em que vende souvernirs de campanha da chapa McCain/Palin. Lá é possível comprar desde um pin da bandeira estadunidense até canecas. Um dos exemplos é esta camisa da imagem ao lado (clique sobre ela para ver o site).

Muita coisa boa eles fazem por lá, mas até agora eu não havia visto nada como este vídeo abaixo. É um videoclipe de rap pró-Obama e tem um visual fantástico. E mais, a letra é muito boa. Fiquei até com vontade de baixar para o iPod. Confira.

Fontes: IG Eleições 2008, Bahia Já, Política Livre e outros por aí.

Em Salvador, fim do primeiro tempo

Intervalo de jogo. E tratando-se de eleições, é no intervalo que mais se trabalha. Agora é recomeçar a campanha e correr atrás de alianças. O resultado das eleições municipais para prefeito de Salvador me surpreendeu. Não imaginava que João Henrique iria tão longe a ponto de desbancar todos e terminar em primeiro, com quase 31% dos votos válidos, contra 30% de Pinheiro e quase 27% de ACM Neto. Nem contava com Imabassahy, por que eu já imaginava este resultado para ele, pois sua postura foi péssima durante toda a campanha. E Hilton estava no barco para fazer um barulho legal para o PSOL, e fez.

O fato é que Pinheiro, em quem votei, e João Henrique agora estão no segundo turno e já começam a se articular em busca de apoio. Acho que ACM Neto tem uma decisão difícil em mãos, apoiar o candidato de Geddel, antigo desafeto dos Magalhães, ou apoiar Pinheiro, do PT ao qual fazem oposição partidária. Quanto a Imbassahy eu não sei e nem tenho idéia do que fará. Hilton deve, mesmo um tanto a contra gosto, apoiar Pinheiro. Acredito que Pinheiro pode conseguir mais apoio do que João e isso fará uma boa diferença no tempo de TV.

Quanto ao dia de eleições, vi muita gente fazendo boca de urna e escrachando mesmo, quase colando santinho de candidato no peito do eleitor. Uma pena também ver candidatos que não tem experiência ou qualquer idéia do que é ser vereador ou de como é o seu trabalho, receber milhares de votos aqui em Salvador. Incrível como o povo ainda dá voto por causa de uma falsa idéia de celebridade. Ainda não saiu o resultado final para a Câmara dos Vereadores, mas eu já vi que muitas das minhas apostas para algumas das cadeiras foram por água abaixo. Eu realmente chego à conclusão de que não sei o que este povo pensa.

E você, está feliz com o resultado das eleições em sua cidade? Eu estou satisfeito por ver o candidato em que votei no segundo turno. Como eu já disse aqui mesmo, eu gosto de segundo turno por que ganhar de cara não é bom e faz mal à saúde da estima do candidato.

(…)

Enquanto isso, hoje dia 06/10, no site de ACM Neto está a seguinte mensagem: “A lei eleitoral determina que a propaganda eleitoral nos sites dos candidatos seja suspensa no dia de hoje. Por essa razão, em obediência à legislação, suspendemos temporariamente as atividades e retornaremos no segundo turno.”

Acho que ele vai ter que esperar mais alguns anos pelo segundo turno.

Três vivas à civilidade e ao civismo. Será?

Hoje pela manhã presenciei uma cena triste. Um caminhão carregado com cerveja em lata quebrou no que chamamos aqui em Salvador de Acesso Norte, trecho que liga alguns bairros periféricos ao centro da cidade. Um destes bairros, inclusive, é onde resido. Infelizmente, quebrou bem em frente a um dos mais populosos e menos favorecidos dos bairros da cidade. Não sei até que ponto humildade e oportunismo podem estar associados, mas o fato é que o povo caiu, literalmente, em cima da cerveja. Uma total falta de civilidade com os profissionais responsáveis pelo carreto e de civismo, envergonhando aqueles que ali passavam ou precisavam passar para se dirigir ao trabalho, atrasando a produtividade diária de muita gente e até ameaçando alguns dos motoristas que queriam seguir, incólume, o seu caminho.

Quiseras eu ter tido a oportunidade de fazer umas fotos do ocorrido, mas estava de moto e poderia ser roubado e agredido, então preferi ficar quieto até conseguir passar pelo caminhão e ir embora.


Imagem figurativa copiada do Google Imagens. Não representa o ocorrido. Foi pior!

É muito triste ver pessoas se acotovelando, subindo umas nas outras e até brigando por um pacote com 12 latinhas de cerveja (alguns levavam dois pacotes), mas também dá margem para pensar um pouco no desenvolvimento de nossa sociedade, na educação do povo e nas profundas ranhuras existentes em cada um de nós. Claro que após o roubo-furto-saque muitos vão direto colocar as suas latinhas para gelar para, quem sabe no almoço, fazer aquele “churrascão de laje” e comemorar com os amigos. Não posso garantir que isso de fato aconteça, mas não dá para pensar em muitas coisas diferentes disso. Não vejo também se há algo a comemorar depois de furtar uma empresa e deixar seus trabalhadores aflitos com isso.

Pelo contrário, acho que são estes os momentos em que não há nada a se comemorar. Para mim isso é reflexo de ignorância, falta de oportunidade de trabalho, falta de convivência pacífica com os demais, falta de, reitero, civilidade e civismo. E é nestas horas em que enxergamos claramente a essencia humana. Me pergunto quantos dos que roubaram aquelas cervejas irão colocá-las em uma caixa de isopor para vender e fazer algum dinheiro para alimentar a família. Provavelmente nenhum. Naquele momento aquelas pessoas eram apenas mais algumas dezenas de animais racionais desejando entusiasticamente de forma instintiva embebedar-se. Quem sabe assim, com a dor dos outros, não aliviariam a sua própria? Ou esqueceriam dela por algum tempo.

No entanto, nada justifica a violência, o furto e o desrespeito às Leis. Mas você acha que alguém será punido? Eu duvido. Vi uma viatura da polícia militar cerca de 1 km depois do ocorrido que se encaminhava para lá. O pior de tudo é pensar que os políciais provavelmente irão inibir a população em troca de algumas latinhas. Uma lástima social generalizada.

Como assim Google?

Faça o seguinte teste: acesse o Google Tradutor e traduza a frase “USA é o país que mais polui no mundo” do português para o inglês e veja o resultado. Vindo do Google eu não esperava algo assim, mesmo eles sendo estadunidenses, não esperava que tirassem o fiofó dos EUA da reta desse jeito. Pra quê ter um tradutor online se o sistema não traduz corretamente? E não adianta vir dizer que é mais uma das brincadeiras da empresa, por que se fosse brincadeira eles deveriam dar a resposta certa logo em seguida, e isso não acontece.
Clique aqui para ver.

E funciona com qualquer crítica que você escrever contra o EUA. Eu fiz esse, esse e esse. Veja todos.

Só que se tirarmos o USA do começo da frase, a coisa funciona corretamente. Veja!