Hoje, ao ler o post do camarada CJ, para a Casa do galo, um verdadeiro filme passou em minha cabeça. O post dele, de nome “A publicidade poética“, trata primeiramente da redação publicitária e de sua relação estreita com a poesia, o que faz com que algumas propagandas sejam veiradeiros “poemas capitalistas”, por assim dizer. Mas trata também, de forma indireta, da arte, do visual, do belo. Afinal, de nada aditanta uma propaganda ter um texto primoroso se estiver associada a algum vídeo mal produzido. A poesia não é só para se ler ou ouvir, é também para se ver e admirar.

Um dos exemplos que ele usou em seu post foi o do novo comercial da Natura para a linha Tododia. É um vt leve, com um texto muito inteligente e que trata diretamente daquilo a que se propõe o produto, que é o seu uso no dia a dia. O texto foi escrito por ninguém menos que Arnaldo Antunes, a convite da agência Taterka, dona da conta da Natura.

Rotina

A idéia é a rotina do papel.
O céu é a rotina do edifício.
O inicio é a rotina do final.
A escolha é a rotina do gosto.
A rotina do espelho é o oposto.
A rotina do perfume é a lembrança.
O pé é a rotina da dança.
A rotina da garganta é o rock.
A rotina da mão é o toque.
Julieta é a rotina do queijo.
A rotina da boca é o desejo.
O vento é a rotina do assobio.
A rotina da pele é o arrepio.
A rotina do caminho é a direção.
A rotina do destino é a certeza.
Toda rotina tem sua beleza.

Eu digo que um filme me passou pela cabeça pelo fato de que eu sou um apreciador das palavras, da poesia e da beleza dos detalhes que muitos de nós deixamos passar. Este mesmo blog, em seu começo neste endereço, se chamava Propaganda, Prosa & Poesia, três artes que caminham lado a lado desde sempre. E como eu sempre escrevi e já faz um tempo desde o meu último texto e poema, lembrar disso tudo e poder admirar belos anúncios como este é sempre muito bom.