Existem publicitários e Publicitários

Participo de algumas listas de discussão sobre comunicação, marketing e propaganda. É o caso da Brainstorm #9, Casa do Galo e Publicidade_propaganda_orkut. Geralmente, rolam discussões interessantes e que trazem conteúdo novo para os integrantes debaterem. Mas, como nem sempre tudo são flores, algumas vezes chegam emails de arrepiar até último pêlo do corpo.

Outro dia chegou um na lista Brainstorm #9 de um usuário que até mesmo foi banido da lista por seu e-mail. Era um daqueles: “Cansado do seu trabalho, entediado ou querendo ganhar dinheiro extra? Trabalhe em casa e fique rico!” Não que o texto fosse literalmente este, mas o conteúdo dizia isso mesmo. Ora, na lista temos centenas de publicitários, que geralmente não ficam entediados com seu trabalho, cansados até que sim, mas sempre depois de alguns jobs até as 2 ou 3 horas da manhã. Quanto ao ganhar pouco, bom, acho que até rico pensa que pode ganhar melhor. Para este caso, as perguntas que eu faço são: Este tipo de abordagem ainda dá algum resultado? Quantas pessoas que você conhece ficaram ricas depois de atender a este tipo de chamado? Quem faz este tipo de “anúncio” não deveria fazê-lo numa lista de publicidade, é no mínimo queimação geral. Afinal, cadê a criatividade?

Hoje eu recebi um novo e-mail, desta vez com um novo enfoque. O “colega” publicitário veio à lista Publicidade_propaganda_orkut pedir “alguma idéia interessante” para campanhas políticas. Mais uma prova de ingenuidade e, no mínimo, de falta de conhecimento conceitual do marketing. Como pode alguém, que se diz representante de uma “agência de propaganda” achar que alguma idéia generalista, pode servir para o candidado A ou B. Existem tantos fatores únicos a ser observados em cada caso, fatores demográficos, financeiros, colégios eleitorais, região de ação, desenvolvimento do candidato, sua instrução, desenvolvimento regional, entre outros, que é praticamente impossível dar alguma idéia que sirva para todo e qualquer caso. O máximo que se pode conseguir, neste caso, é um modelo mínimo de campanha que poderia vir a servir a um número maior de candidatos. E até mesmo propor este modelo seria complicado. No máximo daria pra dizer quais meios de comunicação devem ser indispesáveis para cada tipo de pleito. O e-mail desde senhor eu transcrevo abaixo, com o cuidado de ocultar com X dados que pudessem vir a identificá-lo.

Olá Pessoal, me chamo Carlos XXXXXXXX e Moro em XXXXXX – XX, lhes pergunto:
QUEM TEM ALGUMA IDEIA INTERESSANTE PARA UMA CAMPANHA POLITICA PARA VEREADOR E PREFEITO?…
POSSO SER CONTATADO AQUI E TAMBÉN NOS FONES:
XX-XXXX-XXXX / XX-XXXX-XXXX / XX-XXXX-XXXX

Nestes casos até mesmo a língua portuguesa sofre. É uma lástima. Infelizmente isso é reflexo do grande amadorismo que, ainda hoje, perdura em nosso mercado publicitário.

O brasileiro está lendo mais!

A última enquete que lancei aqui no blog perguntou sobre a quantidade de livros que cada brasileiro leu até este ano. O resultado foi bacana, mas ainda um pouco preocupante. Entre os que responderam, 39% declararam ter lido entre 1 e 2 livros este ano, 16% entre 3 e 5 livros e 25% disseram ter lido mais de 5 livros. Entre estes últimos 14% afirmam haver lido mais de 10 livros somente neste ano! Mas ainda 20% responderam que não leram nenhum livro, o que representa 1/5 do total de respostas. Segundo a enquete, 1 em cada 5 dos que responderam declararam que não leram nada em 2008, o que é um número ainda alarmante.

Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (download aqui) encomendada pelo Instituto Pró-Livro ao Ibope Inteligência, o brasileiro, atualmente lê em média 4,7 livros por ano. A pesquisa também constatou que lê-se mais à medida em que o grau de formação aumenta. Pessoas com formação superior lêem 8,3 livro por ano, enquanto aqueles que só tem o Ensino Fundamental lêem 3,7 livros no mesmo período de tempo.

O bacana é que os jovens são os que mais lêem no país. Isso indica que teremos adultos mais cultos e que, por consequência, as próximas gerações tendem a ler cada vez mais livros. Entre os leitores no país, 39% têm entre 5 a 17 anos e 14% entre 18 e 24 anos, o que representa 53% do total!

A pesquisa também indicou que, mesmo lendo em média 4,7 livros por ano, o brasileiro compra em média 1,1 livro por ano. Isso quer dizer que um mesmo livro é lido por mais de 4 pessoas em média. Eu, como comprador e leitor bem acima das médias encontradas na pesquisa e por já ter perdido alguns bons livros por emprestá-los, agora só os empresto a quem tem bom histórico. Mas isso de ler mais do que comprar deixa claro o quanto somos um povo solidário.

Os resultados são melhores do que os levantados em pesquisas anteriores. Isso tudo é muito legal e se reflete, a longo prazo, em desenvolvimento social, cultural e econômico.

Vale conferir outro levantamento interessante, apresentado pela revista Veja desta semana, que trata dos números de fecundidade no país. Hoje temos uma média de 1,8 filhos por mulher, nos anos 70 a média era de 5,8! Isso também é reflexo de educação, desenvolvimento social e econômico e, por quê não, de mais leitura. É por essas e outras que, mesmo com muitos problemas nos Poderes que regem o Brasil, eu acredito neste país.

Leia mais sobre o assunto e a pesquisa:
Livros por Região;
O brasileiro lê 4,7 livros por ano;
Livro, biblioteca e Leitura no Brasil.