Um brinde
De quando em quando a mente fervilha em busca de reconhecimento e satisfação. Tem sido vã a tentativa deste chip neural em produzir motivação e ânimo novos, portanto, cada centelha de nova possibilidade alimenta a caldeira, que mesmo fraca e morna, insiste em continuar a produzir brasa.
E assim os dias vão se sucedendo como as faixas brancas de uma avenida, sempre iguais e infinitas. Acho mesmo que ainda tenho forças por que o amor permite o equilíbrio e a calmaria necessárias após as tormentas mentais produzidas pelo tédio e pela descrença nas pessoas e organizações.
Como uma mosca tonta e cega, tateio inutilmente oportunidades possíveis, mas previamente fechadas para mim. E aí sim, as caldeiras se inflamam de indignação e o desejo de mudança torna-se mais vívido do que nunca. Como lê-se sempre em contos juvenis, uma nova era se aproxima e, com ela, caminhos mais intensos e ricos ou dificéis e vazios surgirão. Mas como ver o momento e onde pisar ou por onde voar se cegam meus olhos e podam as asas? Mais uma pedra, pedregulho ou montanha no caminho e lá vou eu a escalar e cair e ralar a pele e enxugar o suor e levantar novamente e seguir em frente. Não conseguirão manter-me ao chão, caído.
Sabe a história do milho? Ele necessita ser provado e lançado ao fogo para demonstrar todo seu potencial, que é ser pipoca. Nesta nova era muita coisa ainda é velha, mas aos poucos os espaços vão surgindo e o novo ganha dimensões antes inimagináveis. O cordão umbilical está teso e prestes a se romper. Faço força, mas percebo que ainda falta algum tempo para maturar as idéias, eliminar os obstáculos e alçar um novo vôo.
Ah, falta pouco. E eu quero tanto assustar a todos. Aos amigos, um brinde. À vida, um brinde. Ao amor, à luz de velas, um brinde. Ao futuro, um brinde. Ao seu sucesso, um brinde. E ao meu, antes que chegue ao fim o vinho, um brinde. E claro, beba com moderação.

















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