Archive for Junho, 2007

Torto não pode, viu!

Vi esta placa hoje na rua e não resisti a fazer uma foto para colocar aqui no site. A peça esta aqui por dois motivos, criatividade e aplique.

De uns tempos pra cá temos visto uma infinidade de outdoors com aplique, muitos deles mal feitos e que se soltavam logo. As agências de propaganda (não todas), ávidas por faturar um pouco mais, acabam muitas vezes desnecessariamente fazendo uma placa com aplique. O que, com o tempo, só fará tornar a peça cada vez mais difícil de ser vendida. Aqui em Salvador mesmo, volta e meia vemos outdoors duplos com anúncios que poderiam ser muito bem veiculados em peça única, ou apliques monstruosos (no sentido literal da palavra) e que nada contribuem para a mensagem.


Legal mesmo é ver que às vezes a criatividade faz com que esse complemento a mais seja simplesmente indispensável. Este é o caso do [bp]outdoor[/bp] para a campanha da SET contra a bebida associada à direção que ilustra este post. Parabéns aos criadores e a agência. Aliás, alguém sabe qual agência o criou?

Possibilidades sem fim

É o que a Internet nos proporciona. E os criativos acabam sempre se dando bem na web. Um destes criativos internautas resolveu que queria ter um [BP]carro[/BP], o problema era a falta de dinheiro. Mas aí, Felipe Matos criou um site e dividiu o que será, por seis meses, a lataria de seu futuro carro em 519 partes de tamanho igual para vender cada uma delas por R$ 100, que totalizariam R$ 51.900 reais. Fico feliz quando encontro ações como essa na internet, isso mostra que estamos aprendendo bem a usar a web para nosso proveito.

O fato é que o Felipe já reuniu R$ 5.062,00 e prentende continuar até preencher todo o carro com propagandas. Esse tipo de coisa só se vê na internet. O carro do Felipe, assim que totalmente preenchido, irá circular por Belo Horizonte com os anúncios por seis meses.

patrocinemeucarro.jpg

Clique na imagem para acessar o site PatrocineMeuCarro.com.

Adolescentes, dizeis o que queres…

E as empresas lhes atenderam. A [BP]revista Exame[/BP], edição 893 de uma quinzena atrás, trouxe uma matéria bastante interessante sobre os novos e mais eficientes métodos de pesquisa mercadológica e aqui vou eu comentar.

A matéria “Adolescentes que mandam” (foto abaixo) traz estampada em duas páginas as fotos de quatro garotas, de 16, 17 e 19 anos, que fizeram parte de um grupo de pesquisa bastante diferente do convencional. Vinte e uma garotas foram recrutadas para um bate-papo com a VJ Penélope da MTV e depois para um passeio e aula de surf na praia de Camburi, litoral de São Paulo.

Sabe quem bancou isso tudo? [BP]O Boticário[/BP]. Os dois momentos citados acima, na verdade, fizeram parte de uma excelente e bem planejada estratégia de pesquisa. Duas gerentes da empresa estavam o tempo inteiro na cola das meninas, anotando tudo que pudesse servir de base para um novo produto, linha de produto ou, até mesmo, algo que sugerisse uma mudança em seu portifólio.

Este tipo de pesquisa, mais caro e trabalhoso, é preferencialmente utilizado por grandes empresas, geralmente multi-nacionais. Um outro exemplo é a [BP]Unilever[/BP], que envia gerentes para viver com famílias distintas só para observar o comportamento de compra com o mínimo de vícios possíveis.

Eu acho muito legal perceber que as empresas brasileiras, como O Boticário, tem se preocupado em escutar melhor o seu consumidor. Veja bem, ouvindo e atendendo aos adolescentes de hoje, eles estarão fidelizando a próxima geração de ávidos consumidores. Isso tudo faz parte de um grande e complexo planejamento estratégico, destes que fizemos na faculdade e que muitos de nós não levam devidamente à sério. Algo assim pode garantir a sobrevivência da empresa daqui a 3, 5 ou 10 anos. São investimentos altos, mas que certamente trazem ótimos resultados a médio e longo prazos.

No caso desta pesquisa realizada pelo O Boticário um dos resultados foi imediato. As meninas foram unânimes em reclamar dos tons cintilantes de alguns produtos. A empresa, que já havia encomendado os pigmentos, cancelou imediatamente o pedido.

Isso é muito diferente do que fazem, ainda hoje e por pouco tempo eu espero, algumas operadoras de celular. Que para prender o cliente, vendem os aparelhos bloqueados. Isso tudo leva tempo para mudar, mas aí vem uma e muda. O que acontecerá depois? Só o comportamento do mercado pode responder a esta pergunta, mas o fato é que se der certo pra essa empresa, todas as outras a seguirão. E as que não seguirem, bem, estas ou terão que encontrar outra alternativa, ou sucumbirão. O bom mesmo é estar sempre atento ao que seu consumidor quer.

É interessante pensar estas mudanças “comportamentais” das empresas como algo maior, como parte de um grande plano projetado para ser infalível e levá-las ao sucesso. Portanto, quando você vir algum anúncio em TV, rádio ou outra mídia qualquer, lembre-se que ali, naquele anúncio, pode estar presente a estratégia de sobrevivência de uma empresa. E se olhar mais atentamente talvez até encontre a oportunidade que faltava para a sua empresa brilhar.

Nizan quer brincar…

Na última segunda-feira o caderno de Política do jornal A Tarde presenteou a nós, baianos, com uma entrevista de uma página com ninguém menos que Nizan Guanaes, o super publicitário que é presidente da África (a agência, não o continente!) e do Grupo YPY, que é controlador de várias outras empresas de comunicação, produção e eventos.

Nizan disse que vai investir pesado na Bahia para transformar o estado no “playground do Brasil”. Os investimentos seriam em empresas de entretenimento buscando diversificar as ações desta área aqui. Ele não disse, mas eu quase aposto um dedo mindinho que não ficará só nisso. Acho eu que o Grupo YPY vai abocanhar ainda uma ou outra agência de propaganda, assim os custos de produção do audio-visual e de impressos para divulgar seus eventos poderiam ser melhor gestionados e os custos tenderiam a cair. Mas isso é minha opinião, ele não disse isso na entrevista.

Sobre os eventos o publicitário disse: “A Bahia é múltipla e precisa pensar em temporadas de automobilismo, em iatismo, vela, música clássica barroca, tem que equipar melhor seus museus. Queremos fazer da Bahia o playground do Brasil. Quero ter empresas na Bahia voltadas para o ramo do entretenimento.”

Espero mesmo que isso se torne realidade. Já pensou um grande evento automobilístico aqui no estado? Uma etapa da StockCar Brasil por exemplo? Seria demais! Torço para que isso se torne realidade mesmo. Também acho que a Bahia é por demais carente de bons eventos. Baiano para se divertir por aqui tem que ir pra barzinho. Turista ainda se diverte, indo nos pontos turísticos, Pelourinho, Mercado Modelo, etc., mas evento que é bom, é raro.

Na entrevista ainda se falou sobre TV Digital, propaganda na Internet e sobre algo que me chamou a atenção, o tal do consultório que Nizan montou. Um consultório de idéias. Uma consultoria (R$ 10 mil pilas a hora) para orientar os pequenos empresários sobre como eles devem agir em relação a comunicação, gestão interna e outros assuntos não citados. Cara, pra cobrar R$ 10 mil por uma hora o empresário deve sair de lá com alguma idéia tão boa, mas tão boa, que assim que colocada em prática deve dobrar seu faturamento.

Achei o investimento um tanto alto, mas como estamos falando de Bahia, e os preços aqui tem que ser mais camaradas, eu cobro R$ 300 por hora, ok? Olha lá! Sou publicitário e mercadólogo, tenho ampla experiência em controles comerciais e muito mais. Confira meu currículo e me manda logo um e-mail.

Voltando a entrevista, Nizan tocou no assunto da moda dos últimos meses, o tão famigerado Aquecimento Global (assim, com letras maiúsculas mesmo porque já virou nome próprio!). O legal é que ele não foi para o discurso massante que temos ouvido e lido todos os dias, o cara falou em consumo responsável. Está aí algo com o qual você também vai se identificar logo. Consumo responsável é uma atitude que vai de encontro com o que temos visto todos os dias, que é a busca pelo mais barato e fácil, em detrimento ao um pouco mais caro, mas ambientalmente responsável. É uma tendência mundial e é por isso mesmo que eu digo que logo todos estaremos contaminados, pelo menos aqueles um pouco mais favorecidos e que tem poder para escolher o produto A em vez do B, pelo simples fato dele ser orgânico, mesmo que custe R$ 0,10 a mais.

Semana passada tive o módulo de Marketing Internacional no MBA e o professor falou também neste assunto. Ele disse que na Europa já é bastante comum as pessoas escolherem produtos de empresas que investem em sustentabilidade ambiental e responsabilidade social. É uma pena que as empresas brazucas ainda não tenham percebido que investir processos produtivos limpos e reutilizáveis podem trazer bons lucros no futuro (amanhã!).

Eu penso que em breve iremos escolher um produto numa gôndola de supermercado tomando como critério de decisão o fato dele ter ou não algum selo ambiental. O momento de dar a partida nessa corrida é agora, as empresas que saírem na frente lucrarão, e muito, com esse novo consumidor consciente em que nós todos estamos nos transformando.

Acredite, não sou só eu quem diz isso. São Nizan Guanaes também disse.

Êxtase

Este poema, apesar de novo, não foi escrito para o Dia dos Namorados e sim para o aniversário de minha namorada, que foi em abril. Ainda assim, acho que com o clima de romance pairando no ar, este é o momento mais propício para colocá-lo aqui no blog.

Espero que vocês curtam e gostem do poema. Apesar deste não ter sido fruto de uma única inspiração, como a maioria dos meus outros, achei que o resultado após algum tempo de estudo ficou realmente legal. Enfim, confiram-no.

Êxtase

E quando o bálsamo
Quase indefectível do aroma teu
Atinge pele e pêlos meus
Todos arrebitam-se incontrolavelmente

E enfim o tempo muda, pára, voa
Vertiginosamente para e por entre estes corpos
Nus e fragéis e quentes

Em nossa física, dois tornam-se um
Para tornar-se mais
E eclodir num intenso furor
De um amor sem fim

E face a face desnudamo-nos as almas
E de sentidos aguçados, viris
Desejamos o tempo, a eternidade do momento
E o gosto, cada um o do outro