A Deus Pertence }{ Poema


Deve ser o céu
Que de azul, tornou-se cinza
Ou o mar
Que de calmo, tornou-se revolto
Ou o meu coração
Que de tão quente, queimou-me o peito
Ou será você?
Que por ser você, me conquistou
Ou serei eu?
Que de tão bobo, a perdi
Ou será que não?

Leonardo Araújo, 13 de maio de 2003.

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Este é, de longe, o poema que eu mais gostei de ter escrito. Sei que pode parecer difícil entendê-lo, mas é que há muitas dezenas de versos escondidos nas entrelinhas. Procurem e pensem. Eu fiz esse poema pensando em alguém, por isso mesmo acho que vale para muitos. O amor é universal.

Em cada um de nós, pelo menos uma vez na vida, uma dúvida perdurou. Muitas vezes, ela perdura até hoje. Não foi meu caso, mas pode ser o seu, ou de seu vizinho, ou mesmo de seu companheiro(a). Pense.

Amigos, eu e tudo o mais

Eu digo e repito. Eles são fundamentais. Adoro nossos papos cabeça e os sábios conselhos que escuto. É bom saber o que aqueles que a gente ama e muito estima acham sobre o momento em que passamos e quais são suas opiniões sobre o que andamos fazendo.

Tenho estado numa situação que considero inédita em minha, até o momento, curta vida. Estou relativamente tranqüilo e sozinho. Isso mesmo. O fato é que não tenho vontade alguma de aturar comigo pessoas vazias e que não tenham nada a oferecer-me numa relação, seja de amizade, coleguismo ou amorosa. Mas aí vem a pergunta: não estarei eu sendo duro demais com os outros e, com isso, me prejudicando também? A resposta nem me pergunte que eu não faço a mínima idéia de qual seja. Apenas tenho minhas opiniões e vou citá-las.

Muitos fatos – e a falta de alguns deles – me levaram à situação em que me encontro hoje. Sinto falta de muita gente boa por perto, destes meus amigos, por exemplo. Nossas noitadas, baladas, festas e encontros casuais são sempre excelentes, mas escassearam com o final da faculdade e com o momento profissional e pessoal de muitos deles. Com isso acabei ficando com poucas opções de companhia com Q.I. que seja aceitável ou na média. Findei todos os “rolos” em que estava envolvido e comecei do zero. Tanto que meus domingos têm sido dedicados à leitura, internet, descanso e organização. É como diz o velho e bom ditado: antes só do que mal acompanhado.

Não estou com isso reclamando da vida ou querendo parecer um coitadinho solitário, pois eu realmente não sou assim. E vem coisa boa por aí. A semana que vem será de aulas no MBA, teremos o primeiro módulo, Sistemas de Gestão. Estou um pouco ansioso porque acredito estar numa minha turma muito boa e com pessoas bastante diferentes. Muitos de nós temos ambições e anseios distintos, o que é muito bom. Espero que seja mesmo uma turma heterogênea em pessoa, mas homogênea em resultados e participação. Quem sabe assim eu passe a ter companhias que sejam agradáveis e como eu busco. Acho bastante interessante esse meu momento, gosto até, mas claro que sinto falta dos meus por perto.

Quanto à pergunta feita no segundo parágrafo, acho que tenho várias pistas para a resposta e, algumas delas, meus próprios amigos me deram. Vou tentar juntar o quebra-cabeça e descobrir se estou certo afinal ou se preciso ainda de alguns ajustes. Conversando com meus amigos neste sábado, obtive algumas sugestões. Mas claro que as coisas não são tão fáceis como parece. Sei bem que ficar em casa não resolve nada, mas também não dá pra ficar me metendo por aí sozinho ou continuar naquela lengalenga em que estava antes. O momento requer espera e paciência. E isso, descobri ter muito.

Espero que a semana voe, sexta-feira farei uma breve viajem e relaxar. Vou visitar meus parentes em Castro Alves, cidade distante 190 km de Salvador.

Neste post: amigos e poesia

Amigos

Ontem rolou um esperado reencontro de amigos. Fomos à um badalado barzinho chamado Tijuana. Os que foram são mais que especiais em minha vida. Alguns faltaram, mas isso não diminui suas devidas importâncias para mim.

Amigos são fundamentais, são a família que nós escolhemos. Eu escolhi alguns errados e outros certos, no fim só os certos permaneceram e isso me deixa muito satisfeito. Algumas poucas horas e as novidades estavam todas postas à mesa. Muito bom ver o progresso desdas pessoas fundamentais. Muito bom ver como cada um está feliz ao seu jeito, como eles estão mais maduros, profissionais e competentes do que nunca.

Lembro do começo da amizade com cada um deles. Como éramos imaturos e sem rumo. Hoje, graças a Deus, tudo mudou. Não somos mais garotos e garotas. Somos homens e mulheres. Cada um com suas vidas e caminhos, mas todos felizes e tomando os rumos certos em suas vidas.

Isso sim é algo bom de se ver! Amigos, obrigado por tudo.


Pai Natureza

Que a chuva caia, encharque
Que o céu escureça, brilhe
Que o sol aqueça, queime
Que a água suba, desça
Que o vendo em brisa, refresque
Que o vendo em tempestade, esfrie
Que a terra trema, se abra, suba
Que o fogo da terra surja, voe
Que gelo caia dos céus, alvo

O verde seja verde, vivo
O fogo seja fogo, a arder
O ar seja ar, a encher
Água seja água, pura, sadia
Todos límpidos e puros
Todos produtos, filhos
Todos vivos, pais
Todos pais de todos nós, filhos
Pois todos e tudo é Deus, O Pai.

Leonardo Araújo, 03 de março de 2004.

Dos Amantes }{ Poema


Oh, hipócrita lua
Que apresenta-se bela
Que vale-se de luz que não és tua
E corações de amor alimenta

Oh, bela lua
Que nos banha em águas de prata
Que não passas de reflexo noturno
E nada és, senão espelho do sol

E como podes
Sem luz própria ter
Tantas paixões acalentar

Mas como podes
Mesmo mentirosa sendo
Arrancar suspiros sob ti

Oh, hipócrita lua
Que és como pele imperfeita
A esconder-se atrás de falsa luz
Tornando-se encantadora e jovem

Oh, bela lua
Que ao fundir-se ao mar a cantar
Os amados corações aquece
E mesmo ladra, símbolo de amor permanece

Leonardo Araújo, 07 de junho de 2004.

Movimento


Muitas vezes nos pegamos dizendo para nós e para nossos amigos mais próximos que estamos passando por fases ou transformações, sejam elas de mudança, reflexão, alegria, tristeza ou qualquer uma das diversas vertentes possíveis a isso, mas percebo que quase sempre isso não passa de uma vontade, de um desejo interno que na maioria das vezes, não se concretiza.

É realmente interessante pensar nisso, pois a constatação desta inércia pode nos levar ao movimento seja ele rápido ou lento. É claro que existem aqueles que insistem em simplesmente continuar a iludir a si e a tentar iludir ao outro. Uma pena. Os que percebem o perigo da inércia e se movem, tem grandes chances de sorrir novos sorrisos assim que nascer o sol do novo dia.

Dizem as reais mudanças na vida do homem – leia “ser humano” – acontecem em setênios, ou seja, períodos de sete anos. Se isso for verdade mesmo eu estou exatamente no meio quarto setênio de minha vida e mais, diz-se por aí que entre o quarto e sexto setênio – dos 21 aos 35 anos – acontecem as mudanças mais significativas da vida. Acho que pode ser verdade, afinal de contas esse é o período onde a grande maioria das pessoas conclui sua formação acadêmica, assume um relacionamento duradouro, têm filhos e solidificam suas carreiras.

É bem legal parar para pensar nisso. Aos vinte e cinco anos me sinto muito mais seguro de minhas atitudes e convicto de meus objetivos de vida. E não, eu não sei dizer se estou passando por uma fase de profundas mudanças, apenas vou vivendo. Afinal de contas isso tudo pode acontecer naturalmente, sem que sejam necessárias decisões drásticas e radicais.

É fato que tenho percebido crescer certo desgosto com algumas coisas e pessoas que antes gostava e tenho passado a apreciar novos lugares, pessoas e possibilidades. Eu passei muito tempo inerte, imóvel em uma zona de conforto desconfortável que eu mesmo criei e alimentei. Consegui perceber isso cerca de um mês atrás, quando eu e a equipe da qual faço parte fomos enviados a um workshop motivacional. Depois destes um dia e meio de curso sentei providenciei algumas ações ousadas que já me deram relativo resultado. É como eu digo: “inércia alimenta inércia, ação provoca reação”. Vamos às ações então. E que, bem vindas ou não, venham reações.

Soneto do Belo Amor


És mais bela
Que a mais bela de todas as belas feras
Esplendor vívido em chamas
E me enternece e inflama

E me arrepia ao tocar o ar
Com teus lábios a cantarolar
E como sereia me encanta
E tua beleza me espanta

E tu ainda não és minha
Mesmo eu já sendo teu
Pois meu amor por ti caminha

E meu peito outrora por um
Agora retumba por mais
E não esquecerei a ti jamais

Leonardo Araújo, 1º de maio de 2006.