O Amor }{ Conto


Mais um feriado, desta vez uma quarta-feira, e ele estava novamente em seu banco preferido da praça ao ler aquele interminável, mas maravilhoso, livro. Teria sido um dia comum, com as horas passando vagarosamente se algo impressionante não tivesse acontecido. Carlos é um jovem pacato, de apenas 22 anos, alto e bonito, não costuma sair muito, gosta de ler e é muito talentoso com a escrita, mas aquele fato realmente viria a mudar toda a sua vida dali por diante.

Já passava das 16 horas quanto ele sentiu um aroma indefinível e delicioso pairar sobre toda a área a sua volta, no minuto seguinte estava completamente apaixonado, aquela seria a grande paixão de toda a sua vida. Ao olhar instintivamente para tentar descobrir de onde vinha aquele cheiro divino, ele avistara uma belíssima jovem, apenas um ano mais velha, de cacheados cabelos ruivos, olhos verdes e sedutores, quase tão alta quanto ele e dona de um corpo bem formado e belo. Seu coração, aos pulos, o fez levantar de sobressalto, o que chamou a atenção de outras pessoas e daquela linda jovem. Ao perceber que havia atraído olhares indiscretos para si, voltou-se a sentar e continuou, discretamente, a observar a garota. Não sabia de onde ela era, seu nome, absolutamente nada de sua vida, mas já estava apaixonado. E a paixão o fez ter uma grande atitude, talvez o momento de maior coragem de toda a sua vida tenha ocorrido ali, naquela praça, naquele lindo dia de verão.

Carlos então levantou-se calmamente e dirigiu-se a garota, estava decidido a conhece-la e sabia que tudo poderia acontecer, talvez ela passasse a amá-lo depois que o conhecesse. Chegou a ela, pediu permissão para sentar-se ao seu lado e apresentou-se. Clara o seu nome, que lindo, tem tudo a ver com sua fisionomia serena, ele pensou. Conversaram por algum tempo, mas ela já devia estar em casa e logo se foi. Carlos no entanto, pediu para acompanhá-la, ao ver que ela relutou um pouco ele decidiu convidá-la para jantar. Para seu espanto o convite foi aceito e os detalhes acertados. Iriam encontrar-se no banco onde conheceram-se, às vinte horas do sábado seguinte. Trocaram telefones e despediram-se.

Não preciso dizer que os minutos eram como horas e que os dias tornaram-se semanas desde aquele momento até o jantar. Clara estava um pouco excitada com a situação de jantar com um estranho, mas isso era um desafio e ela não fugia jamais a um bom desafio. Também havia sentido uma certa atração por Carlos, sua serenidade e força na voz a deixaram encantada.

Carlos praticamente não dormiu na noite de sexta-feira, véspera do encontro, mas ainda assim levantou disposto e passou o dia a preparar-se para o jantar, já havia feito reserva, ligou para confirmar e só então tranqüilizou-se um pouco. Escolhera um dos melhores restaurantes da cidade, com uma espetacular vista para o mar, ambiente acolhedor e bastante romântico. Havia lindos arranjos de rosas e tulipas em todas as mesas, a luz era sombria e o cheiro das rosas pairava no ar, como se estivesse sendo seguro por alguma força mágica. Um aconchegante salão de dança postava-se ao centro das mesas que formavam um semicírculo que fechava-se com o pequenino e clássico palco, a música era ditada por um grupo que tocava valsas suaves e jazz. Estava muito feliz, tinha a absoluta certeza de ter achado a mulher de sua vida, fechava os olhos e seu sorriso surgia como um por do sol em uma tarde de céu límpido e ar puro. Ela é belíssima pensava, pelo pouco que conversaram lhe parecia ser uma mulher de personalidade forte e segura, decidida. Gostava de mulheres decididas. Ao pegar-se pensando em Clara pela milésima vez, ele teve a certeza de que estava apaixonado. Agora era mergulhar de cabeça e torcer para tudo dar certo.

Carlos vestira-se com sua melhor roupa e perfumou-se suavemente, estava muitíssimo elegante. Clara, por sua vez, não havia poupado horas a preparar-se. Ela estava imponente em um lindo vestido longo de cor vermelha, cabelos presos no alto da cabeça de forma a deixar seu pescoço bem delineado e suas pequenas e charmosas sardas às vista, estava radiante.

O encontro, para quem pode conferir, parecia algo cinematográfico. Eles encontraram-se e cumprimentaram um ao outro com suaves beijos em suas faces. Antes haviam deixado uns minutos passarem ao contemplar-se. O cavalheiro entregou o buquê de cravos estupidamente vermelhos, sorriu e pensou: “será que ela sabe o significado que há em dar cravos de presente?”. Pareceu-lhe que sim. O largo sorriso de Clara, que deixara à mostra seus belos dentes, o dava a certeza disso. Carlos estendeu o braço e Clara o segurou. Seguiram para o carro e de lá para o restaurante.

Divina foi aquela noite para os dois jovens corações, as horas foram poucas, porém intensas. Os detalhes, o vinho, as rosas, o mar prateado que refletia uma Lua cheia lindíssima e exuberante, que parecia exibir-se, declarava que aquele momento pertencia ao Amor e que ambos deveriam entregar-se.

À certa altura, Carlos a convidou e foram dançar, era uma música romântica que os envolveu e fez com que ambos se deixassem levar de forma suave, como se o mundo inteiro houvesse desaparecido. Era como se naquele momento só existissem os dois, o perfume, a música e o toque de suas mãos e corpos. Quando enfim os olhos se cruzaram, seus lábios se encontraram em um beijo caloroso e cheio de paixão. Os corações pulsavam como jamais haviam o feito antes. Uma emoção sem igual invadiu aquelas almas e eles eram um só, agora e sempre. Todo aquele clima mágico, afogado em Amor e cumplicidade fizeram com que eles, a partir de então, jamais se separassem.

Ao final daquela noite, os dois, em suas camas, estavam com os pensamentos em seu par. Dormiram tão bem como nunca, pois sabiam, haviam encontrado sua outra metade. Chegara ao fim a procura incansável e silenciosa pelo maior presente de Deus, o Amor.

Leonardo Araújo, 25 de fevereiro de 2004.

A era do garrancho


Às vezes acho que sou meio louco. Sabe ter aquelas idéias doidas de repente? Sou um cara que viaja legal na maionese. Isso dever ser resquício da faculdade de publicidade, porque não só eu, mas alguns outros colegas e amigos também são assim.

Outro dia me peguei pensando em quanto tempo faz que não escrevo um texto inteiro à caneta, no papel, na mão grande mesmo. Rascunhos e rabiscos não contam. O fato é que eu não faço a mínima idéia de quando isso aconteceu. Tenho até medo da caligrafia dos meus futuros filhos – serão dois espero – e netos – aí não é mais comigo. Ainda bem que minha letra não é feia, sempre procurei melhorar e hoje estou quase satisfeito.

Maldito – ou será bendito? – Microsoft Word. Por um lado acho que nos tornamos muito mais preguiçosos, por outro acho que não, pois agora produzimos muito mais, em menos tempo, de forma mais eficiente e ainda temos dezenas corretores ortográficos e dicionários online. Se minha professora de português durante a faculdade fosse visitante deste blog ela teria um enfarto agora mesmo ao ler isso. Calma professora, eu não costumo recorrer a estes artifícios e, sim, eu aprendi a escrever muito bem obrigado.

Eu conheço muita gente, amigos e parentes, que tem letras horríveis. E muitos deles nem foram educados em escolas de ponta, com computadores desde cedo afinal isso nem seria possível em pleno anos oitenta no Brasil.

Enfim, as perguntas que ficam deste post são as seguintes:

1 – Com o boom tecnológico em que vivemos, tendo escolas cada vez mais informatizadas, será que nossos netos chegarão a conhecer o prazer de rabiscar uma Bic em papel?

2 – E a caligrafia deles, será que teremos publicitários, engenheiros e até professores com letras de médico por aí?

Observação: Comunidade médica, não se ofendam. Apenas usei o mito urbano de que muitos de vocês têm letras indecifráveis em receitas médicas. Mas creiam, foi apenas para servir de exemplo.

Espero respostas. Até a próxima.

Eu não sei


Definitivamente, eu não sei. Não sei mais de mim, não sei mais de você, de nós não sei. O sopro que me resta e impulsiona é fruto do desejo de saber que já esta quase a findar, eu acho, mas não sei. Nem isso, a força que me resta, nem isso eu sei.

E sem saber, como saberei eu não sei. E não sabendo saber ou se saberei de você, como posso esperar algo de nós? É triste o não saber, é vazio o não saber. Então isso quer dizer que estou triste ou vazio ou ambos? Eu não sei. E acho que nem tentando, hoje eu saberei.

E o que houve para meu nada saber, eu não sei. As palavras são confusas, mas o calor não. Eu acho, apenas acho, pois não sei dizer se o que sei é algo que apenas eu saberei. Pois se assim for, brotou a unilateralidade aqui. E esta só findará com a chegada do saber em mim. E se isso vai acontecer eu não sei. Eu não. Você sim.

Por hora tudo o que sei é que, sobre isto, ainda nada sei. E nem mesmo sei se saberei.

Fim.

[ Me inscrevi no CokeRing, a partir de hoje, textos novos sempre! ]

Cara pintada

Até que enfim consegui terminar um novo template para o blog. O antigo já tinha mais de um ano, acho que quase dois! Eu já estava mais que enjoado dele.

A nova cara é uma homenagem á nossa gloriosa seleção, que este ano irá – e eu tenho fé nisso – conquistar o hexa campeonato mundial de futebol.

Ainda faltam algumas modificações, inclusões de mais algumas páginas, mas logo tudo estará pronto.

E creiam, estou voltando ao mundo dos blogs com força total!

Enfim, uma novidade.

Ontem foi bem legal na academia. Agora estou mudando minha programação, vou malhar segundas, quartas e sextas e participar do curso de forró nas terças e quintas. Afinal de contas eu preciso aprimorar a técnica, não é?

A melhor parte de participar do curso de forró é que rola uma integração entre todos nós. Sei que no final – e ontem já mostrou isso – acabaremos todos, ou quase todos, nos tornando amigos. Sei também – e isso foi dito ontem – que sempre vão acontecer encontros da turma em bares e festas para todo mundo poder colocar em prática os passos aprendidos na “sala de aula”.

Perceberam o quanto me empolgo rápido? Mas isso é só porque não tem acontecido novidades em minha vida. Aí, a primeira que vem, me deixa logo contente. A outra parte boa é que sempre vamos ter muito mais mulheres do que homens na aula de forró, isso já é quase uma tradição. Adorei essa.

A palavra é "ação".

É, sei que estou muito afastado deste querido blog, mas é que não tenho tido a inspiração necessária para postar sempre. Agora mesmo estou completamente sem noção do que dizer. Na contramão anda o fotolog, que tenho atualizado religiosamente todo dia. Mesmo quando não estou com saco. Também estou cansado deste layout, mas ainda assim não tive o ânimo necessário pra fazer um novo. Bom, vamos mudar de assunto.

O fato é que estou passando por um momento novo e delicado. Muita coisa pra pensar, muitas atitudes a tomar, muita gente pra esquecer e muita coisa nova pra conhecer. Semana passada eu e toda a equipe daqui do trabalho fomos enviados para um workshop motivacional que tinha como título: Potencializando os Resultados Através das Pessoas. As orientadoras eram duas psicólogas. Logo pensei: “Eba! Chegou a hora”. Pensei e assim foi.

Depois do primeiro dia eu estava arrasado, massacrado, diminuído, e, ainda assim, contente com o resultado. Elas conseguiram mexer em muitas coisas minhas e de meus amigos e colegas. O que me levou a, logo após o final do curso, ter uma conversa com ambas para pedir um feedback. Gostei do que ouvi. Apesar de contratadas pela empresa, elas são bastante claras e independentes em suas idéias. Eu havia tomado uma decisão importante no dia anterior e, ao compartilhar com elas, ouvi que isso era o mais correto a fazer. Então decidi de vez dar a cara a tapa. Também assumi um novo lema: “Inércia alimenta inércia, ação gera reação”. Minha decisão foi ousada e inédita. Vou contar.

Sou formado em comunicação com habilitação em publicidade, logo sou publicitário. Estou começando um MBA em marketing e correndo atrás dos mais diversos cursos. Durante os últimos cinco anos tenho trabalhado no Departamento Comercial de uma grande empresa baiana, que faz parte de uma holding nacional do setor elétrico. Sou responsável pelo faturamento, fluxo de informações da empresa com os poderes públicos municipais e cadastro de um serviço de suma importância, ou seja, tenho cá minha visibilidade. Mas sabe quando a gente quer mais, quando sabemos que chegamos no limite. Estou com essa sensação. Por isso, ontem eu enviei algumas cartas e currículos para as áreas de comunicação da empresa. Ousei. Isso é algo realmente delicado. Pode parecer simples, mas não é. A cultura na empresa não é essa. As coisas acontecem de outras formas aqui dentro, mas eu cansei de esperar e agi. Agora estou esperando uma resposta. Caso não venha nenhuma, já tenho outra ação mais ousada ainda pronta para ser executada.

Só peço uma coisa. Torçam pra tudo dar certo. Eu quero a minha transferência.

(…)

No mais, tudo indo mais ou menos. A vida anda chata. A academia é que ainda salva o meu dia, pois, pelo menos lá eu vejo gente diferente e coloco a raiva e o estresse reprimido pra fora. E de quebra ainda fico mais saudável e, quem sabe daqui a algum tempo, sarado. Estou cansado de tudo e de quase todos. Com vontade de – literalmente – sumir. O coração do papai aqui parece até um diamante muitíssimo valioso, mas infinitamente duro. Precisando urgentemente de alguém que saiba lapidá-lo. Estou cansado de um monte de coisa e de um monte de gente. Preciso de novos amigos, lugares, novas risadas e estou agindo nesse sentido também. Espero que, ao final deste meu processo transitório, tudo fique melhor.