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Archive for Abril, 2006
Mar Meu }{ Poema
Abr 29th

Ofereço-te um copo de rosas
Um buquê de águas calmas
A cama para sentar-se comigo
Uma cadeira para dormirmos juntos
Te dou a maravilhosa vista da rua cinzenta
Ou brisa do mar no quadro da parede
Beijos durante o expediente
Fotos para ouvir e palavras para ver
Comporei quadros, pintarei músicas
Desenharei palavras e escreverei imagens
Levarei a ti perfumes comestíveis
Ou guloseimas aromáticas para o jantar
Amor imenso como um átomo, presente em tudo
Quente como o Pólo Sul, sempre fascinante
Forte como uma criança, inocente e sincero
E vivo como o Sol, que um dia apagará
Moveria o mundo da órbita
O faria rodar ao contrário
Tudo para te ter ao meu lado
Sempre te ter ao meu lado
Sei, para você o tudo é pouco
Para mim o pouco é tudo
Só peço que sorva um gole
Dos litros de amor que ofereço
Leonardo Araújo, 19 de maio de 2003.
Meu amor… }{ Poema
Abr 26th

Amo uma pessoa que me ama,
Mas não como quero,
Sou amado ao mesmo tempo em que estou isolado,
Em um mundo sem amor.
Sou amado por aqueles que me rodeiam,
Amo uma pessoa que me ama de um modo diferente ao meu,
Não consigo compartilhar o amor que sinto com outro alguém.
Certa vez a ti pedi um beijo amor,
Mas tu não me fizeste feliz,
Em tua cabeça pensamentos voam,
Em teu corpo sentimentos se espalham de um modo surpreendente.
Tua resposta caiu como uma bomba sobre mim,
Amor, não poderia falar para todos quem tu és,
Mas tu amor, és tudo para mim,
Neste momento digo quem tu és, meu amor,
Teu nome é…
Leonardo Araújo, 15 de junho de 1997.
_Post script:
Dizem que: “Para tudo há uma primeira vez.”. Eu não creio nisso, mas neste momento fui tentado à usar o bordão. Este foi o meu primeiro poema, ou pelo menos o que eu tenho datado mais antigo. Quase nove anos se passaram desde que escrevi estas linhas. Este foi escrito no colégio, em minha época de ginásio. É antigo, mas eu gosto muito. E espero que vocês, queridos leitores, também gostem.
Os que não são novatos neste humilde blog, com certeza notaram o banner do Coke ring acima da áera dos posts. É que o Atômico foi selecionado para o short list do concurso, ou seja, o blog está com um pé no Top 10 da categoria “Viva o que é bom”. Uma excelente notícia que me dá mais ânimo para continuar. Agradeço a todos os leitores e visitantes. Muitíssimo obrigado! Ah, estou aberto a sugestões, elogios e, ou, críticas.
Dias de Reflexão
Abr 25th

Tenho tido longos dias e noites de reflexão, longos e proveitosos. Percebo que é hora de crescer, progredir e alcançar – ou pelo menos batalhar – novos e mais desafiadores objetivos. Busco mudanças em minha vida, no amor, no trabalho, na família. Não sou o mesmo, e agradeço muito por isso.
Domingo foi um dia fundamental de muita reflexão e também um dia de isolamento. Foi fundamental porque, no final, percebi várias sutis diferenças que já apareceram e outras estão aflorando em mim. Não sou criança, nem tenho a intenção ou o desejo de agir como um adolescente ou um adulto irresponsável. Cansei disso, de gente que age e pensa assim e cansei de muitas outras coisas. É certo que para isso tive que me afastar de alguns, diminuir o contato com outros tantos e buscar novos. Mas esta é a maré que eu quero seguir. Sinto muito que ainda existam pessoas que não entendem o outro quando este decide virar uma página e escrever outra nova. Quero meus amigos por perto, mas quero que entendam bem o que se passa.
Não quero mais alimentar futilidades em minha vida, quero novidades, verdade, vida, amor, presente e futuro. E é isto que tenho buscado e, graças a Deus, estou conseguido aos poucos.
Gosto de pensar que as coisas só acontecem no momento em que devem acontecer, mas sei também que devemos ser agentes dos nossos próprios caminhos e que não dá para viver sempre na chamada “zona de conforto.”. E isso muita gente faz. Eu mesmo passeio muito tempo ancorado na zona de conforto em que minha vida se encontrava. Agora já não dá e nem quero mais isso. Preciso de mudanças e estou promovendo-as em minha vida.
Tenho os meus objetivos pessoais e profissionais de vida e quero alcançá-los logo, sei que assim novos aparecerão e terei mais uma vez a oportunidade de continuar em frente.
Quero ter maior independência financeira, trabalhar em minha área, procurar meu próprio canto, cuidar de mim mesmo e, quem sabe, daqui a alguns anos constituir minha família. Isso tudo tem hoje um peso muito grande em minhas decisões. Por isso decidi continuar os estudos sem uma pausa e logo começarei um MBA, por isso reservo grande parte de meus rendimentos para investir em educação e espero ser recompensado por tanto esforço. Sei de minhas capacidades e competências e estou indo à luta.
O fato é que me sinto mais seguro, tranqüilo e maduro do que nunca. Tenho dedicado meu tempo livre à leitura e escrita, meus passatempos prediletos e isto alivia a alma. Os dias são longos, mas o amanhã já não é mais tão incerto. E esse pensamento é reconfortante. Espero agora apenas que a Vida seja mais justa e que os esforços sejam, de fato, recompensados. Enquanto isso continuo fazendo a minha parte.
O Primeiro Encontro }{ Conto
Abr 23rd

Ela veio. Não consegui reagir de imediato. Devo ter ficado uns dois minutos contemplando sua beleza através do olho mágico da porta. Ela tocava a campainha com aquele que eu defini de imediato como sendo o mais lindo dedo indicador com unha pintada de rosa que eu jamais vi na vida, e eu, de tão absorto em sua imagem, não ouvia. Só um sentido funcionava, somente a visão. E estava ótimo, não precisaria mais de sentido algum, se fosse para contempla-la por toda a vida.
Toc! Toc! Ela resolveu bater na porta. E com isso, como o despertar de um sonho intenso eu volto à consciência e percebo, quase instantaneamente, o óbvio. Tenho que abrir a porta. A última fronteira, o último obstáculo que me separa de teu cheiro, tão sonhado e imaginado cheiro. Alguns pensamentos voam pela minha mente durante os rápidos segundos em que giro a maçaneta e abro a porta. Dou um conselho a mim mesmo: calma garoto, calma.
Eis que um sorriso estonteante se abre e eu, já recuperado do choque, retribuo e desculpo-me pela demora. Digo a verdade. Conto que sua imagem havia me paralisado atrás do olho mágico e ela abre um outro lindo sorriso, desta vez acompanhado da mais afinada das gargalhadas de todo o mundo.
Ela diz: – Acho que pessoalmente você pode ver melhor, não?
Nada posso fazer a não ser rir, concordar veementemente e convidá-la a entrar.
Meu apartamento não é um luxo, mas vive em harmonia comigo, ou seja, tem tudo o que eu sempre quis e é decorado detalhadamente. São apenas dois quartos, sendo um suíte, um pequeno corredor, banheiro social, ampla sala de estar – eram duas, uma de estar e outra de jantar, mas meses atrás demoli a parede e ampliei meu espaço -, cozinha americana e uma varanda aconchegante com uma bela vista. Percebo que ela surpreende-se com a organização, limpeza e aspecto leve da sala. Ela me diz que achou tudo muito bonito e que não esperava isso de um homem solteiro. Convido-a a sentar. Como já sabia que ela aprecia um bom vinho chileno, dias atrás já havia comprado duas garrafas de um tinto meio-sêco, uma destas descansava sossegadamente em um balde com gelo estrategicamente colocado a sua frente, as respectivas taças ao lado. Costumo ser bastante prático e racional, mas algo insistia em me dizer que por uma noite, esta noite, a emoção me dominaria por inteiro.
Ainda sem trocar palavras, sento-me ao seu lado, retiro o vinho do balde, abro e sirvo as duas taças. Ofereço um brinde. Erguemos as taças e concluo: – Ao primeiro encontro. Por um breve instante acreditei haver visto uma faísca passar pelos teus belos olhos castanho-esmeralda. Penso: “Deus, como é linda.”. Pele morena clara, cabelos ruivos e levemente encaracolados deitados sobre todo o corpo até a altura da cintura, dona de maravilhosos um metro e sessenta e cinco centímetros, boca carnuda, olhos vibrantes, rosto expressivo e seios deliciosamente perfeitos. Ela deixa um aroma quente, caliente, fogoso e cheio de tesão no ar. Sinto-me embriagado e sei que a culpa não é daquele ínfimo primeiro gole de vinho, a culpa é dela. Uma culpa gostosa, que percebo deixa-la radiante.
Conversamos um pouco sobre trivialidades. Ela me diz que adorou a decoração da sala e eu a convido para conhecer os demais cômodos. Voltamos e decido colocar uma boa música. Pergunto o que ela quer ouvir, e ouço a tranqüila resposta: – Quero ouvir a sua música romântica predileta. Pego de surpresa, concordo e coloco o CD na faixa pedida. A música é Your Love Is King de Sade. Pronto. Devolvida a surpresa, ela põe-se de pé, enche nossas taças e caminha em minha direção. Apenas quatro passos, mas eu juro que vi um desfile inteiro e particular em minha sala de estar. Uma deusa de saia curta, com belas coxas à mostra, salto alto, decote generoso e olhar fulminante. Ela diz: – Você me encantou e só estou aqui a trinta minutos. Dou-lhe um beijo. Um beijo quente, úmido, safado e delicado. Um beijo como a ocasião, o vinho, a música e a mulher pediam. E este fora apenas o primeiro, duma noite cheia destes.
Decidimos esquecer o jantar por ora e nos entregar ao vinho e à nossas bocas. Trocamos o CD pelo DVD, sala por quarto, sofá por cama. Só não trocamos o vinho, nosso cúmplice etílico e envelhecido do momento sublime do beijo e do amor.
Como dois adolescentes carentes e insaciáveis, nos entregamos sem pudores um ao outro. Os beijos agora não contentavam-se apenas com a boca do outro, os beijos eram vorazes e queriam mais. E assim demos mais. Uns beijos queriam orelhas e pescoços. Outros seios e barrigas. Os mais abusados queriam o sexo. E os beijos beijavam sem parar. Beijos maduros e firmes. Logo haviam roupas espalhadas por cada um dos quatro cantos do quarto e o DVD, este nós nem víamos ou ouvíamos mais. E as bocas, ainda não saciadas, deleitavam-se com os corpos e o vinho. Sim, o vinho, outrora cúmplice agora era um de nós e pintava nossas peles com sua escura rubra cor até encontrar alguma boca sedenta de sede e tesão.
Era sublime o sexo. Quente e descontrolado, mas ainda assim, maduro e consciente. Mesmo com o vinho entre nós, ainda consciente. O tempo, nosso inimigo, parecia dormir e os minutos eram horas e as horas, dias. Eu agarrava seus cabelos e recebia sorrisos e gemidos de presente. Mordia seios e ganhava arranhões de unhas rosas. Ela me engolia e eu lhe doava gritos de prazer. Não havia sexo melhor, este era o melhor. O suor que nos banhava era como combustível e nos mantia acesos e ainda insaciáveis. Mais sexo. Mais beijos. Mais vinho. Mais gemidos, sussuros, mais tesão. Quando a sanidade nos foi devolvida, quando os corpos estavam saciados e quando as bocas relaxaram, dormimos nus, agarrados e felizes.
E, somente horas depois da melhor noite de sexo de nossas vidas, voltamos ao mundo e despertamos de nosso sono sem sonhos. Ainda estávamos exaustos. Mais um beijo. Fomos nos banhar juntos e lavamos um ao outro como um pai ao filho, mas com o desejo explosivo de amantes secretos. Logo não era mais um simples banho, mas novamente sexo. Muito, muito quente. Tão quente que, nem mesmo a fria água a cair em nossos corpos, esfriava o tesão que queimava em nós. Ela enlaçou meu corpo com seu escultural par de pernas e, após fundir-se em mim, pôs-se a beijar-me loucamente. Nos amamos entre sussurros, gemidos e gritos, desconfortável, mas deliciosamente em meu box até o gozo de ambos. Nos rendemos ao mais prazeroso cansaço e terminamos o banho. O box com os vidros suados de nosso calor, exibia relatos escritos por nossas mãos que escorregaram sobre ele enquanto nos amávamos.
Fomos almoçar o jantar e bebericar nossa segunda garrafa de vinho meio-sêco chileno, que agora bebíamos em taças convencionais, afinal, já não éramos mais conquistadores. Já éramos conquistados. Pelo sexo primeiro, para depois quem sabe, pelo amor.
Leonardo Araújo, 23 de fevereiro de 2006.
Seda de Leite }{ Poema
Abr 20th

Pense em leite
Ao cair pelo corpo
Que corpo, teu corpo
Deleite, prazer
Qual sentido há
Quando põe a banhar
Em seda pura a tua pele
Que límpida reflete
Todo o tesão a florescer
Doce de leite
A cobrir os centímetros
Todos que existem em ti
Agora a mais saborosa das peles
Que a seda não esconda
Nem oculte ou tente
Entenda seda como cobertor
Apenas para os cantos do amor
Onde possas deitar
Mistura, impura ou pura, não sei
Mas quero, sim quero
Seda em leite, doce em corpo
Corpo em corpo e sabores a sentir
Um copo de leite
Uma tigela de doce
Um canto vestido em seda pura
Para corpos receber
E, enfim, adocicar o prazer. O nosso.
Leonardo Araújo, 30 de Setembro de 2004.
Vadia }{ Poema
Abr 19th

Belas meninas, esquinas,
Sarcasmo e solidão
Belas meninas se vendem sozinhas
E sofrem como o cão
Ah! Esta vida vadia, cadela,
Que bela essa compaixão
Ah! Esta escolha é sua, e nua
É o seu trabalho então
Sai dessa vida mulher,
Não tem o que quer
E sofre sem paixão
Você é mulher vadia,
Que o vício vicia
E mata seu coração
Sei que isso você quer
Só que assim não é
E você não sai não
Sei que você tem que sofrer
Sofrer pra aprender
A aprender a viver então
Vai trabalhar sua vadia
Que a noite inicia
E tem gente aí
Vai caçar teu sustento
Viver ao relento
Ser vadia em sua vida vadia enfim.
Leonardo Araújo, 1º de fevereiro de 2003.
_ Post script:
Escrito em 2003, o poema foi fruto de uma época em que, para ir à faculdade, eu tomava apenas o caminho que seguia pela orla marítima de Salvador, da região de Patamares ao Jardim de Alah. Todos os dias, durante o trajeto eu via dezenas de mulheres “ganhando a vida” à beira da estrada. Algo me incomodava, pois eu percebia que naquela vida, naquela forma de sobreviver, não poderia haver felicidade e sim sofrimento, muito.
Este poema é fruto desta minha inquietação com o silêncio da voz que cala oprimida.





















